São Petersburgo, a capital cultural e histórica da Rússia, está plena de grandes atrações turísticas. O Museu Hermitage, um dos mais belos e completos do mundo, é um palácio por dentro e por fora. As obras de arte estão expostas em salas finamente decoradas. Os palácios de Peterhof e de Catarina estão entre os mais lindos e luxuosos, destacando-se os jardins do primeiro e a Sala de Âmbar, no segundo. Muito para jamais esquecer. Cada vez que se retorna a São Petersburgo acontece uma nova aprendizagem.
Viagem a Moscou – capital da Rússia
Foi de trem a viagem de São Petersburgo a Moscou. O trem, muito confortável, partiu às 23h55 e chegou às 07h55. São 650km de distância. O jantar foi a bordo.
Chegando, o translado foi para o Hotel Hilton de Moscou. O café da manhã aconteceu no hotel e, logo, iniciaram as visitas.
Revendo Moscou
Há algum tempo que a capital russa faz parte do grande circuito das metrópoles mundiais. Debaixo da Praça Manezhnaya, a metros do Kremlin, há um gigantesco centro comercial subterrâneo de quatro andares. São lojas, escritórios, restaurantes, estacionamento e outros mais. Sua construção foi planejada para ter livre acesso ao comércio, no inverno, pois a superfície fica coberta por grossa camada de gelo. A opulência dos czares gerou alguns dos mais fantásticos monumentos da Rússia. A arquitetura de Moscou pode ser dividida em dois estilos. De um lado, os belos e ricos monumentos, palácios e igrejas com suas cúpulas douradas e arredondadas – os célebres telhados em forma de cebola, que são o símbolo informal da Rússia. Do outro, os feios, austeros e acinzentados prédios construídos na Era Lênin e onde vivem os moscovitas até hoje. Em Moscou não existem meios termos e nem casas. As construções são suntuosas revelando uma época áurea e, atualmente, com modernos arranha-céus. De outro lado, são simples como caixotes.
Arte e vida em Moscou
A arte sempre esteve na vida dos russos. Ir a Moscou e não assistir ao Balé do Bolshoi é como “ir a Roma e não ver o Papa”. O Bolshoi é a mais conhecida e influente instituição cultural russa. Ela foi quase sagrada no tempo dos czares e também sob os líderes soviéticos. Com a queda do comunismo, pareceu que desapareceria e viveria de glórias. Mas, hoje, continua como uma das maiores companhias de ópera e dança do mundo. Ocupa um magnífico e luxuoso teatro do século XIX. O repertório consiste basicamente dos clássicos russos. Inovações, reformas e novos talentos estão levando o Bolshoi para o nosso século.
O grande sonho de assistir no Bolshoi
Os ingressos para os espetáculos são vendidos por antecipação de quase dois anos. Mas, o nosso hotel ficava defronte ao teatro. Poucas horas antes do início, conseguimos ingressos de desistentes com a gerência do hotel.
Tivemos ótimos lugares para assistir ao icônico “Lago dos Cisnes”, para mim, o melhor e mais belo balé clássico. É uma obra do compositor Pyotr Tchaikovsky inspirada em um lago que existiu próximo a um convento de monjas, em Moscou, onde nadavam belos cisnes brancos e negros. O corpo de baile chegava a mais de centena de figurantes. Luzes, ricos trajes, cenário impecável e dançarinos de alta performance. Muitos destes são brasileiros advindos da Escola do Bolshoi que existe em Joinville, Santa Catarina. Luxo, beleza, encanto! Cenas que ficarão para sempre na nossa memória.
Hotel Metrópole
Em leituras passadas, lembrei desse hotel que aparece no filme Doutor Jivago. Localiza-se defronte ao Teatro do Bolshoi e nas cercanias do nosso hotel. Vale a pena, após o teatro, entrar para tomar algo. Assim, é uma forma de conhecer a opulência típica dessa construção do século XIX. Hoje, ele é administrado por um grupo russo-britânico. O belo salão com teto de vidro e rica decoração também é uma lembrança de onde Lênin fazia seus discursos.
Os moscovitas
Em Moscou, na era comunista, não existiram residências simples ou baratas para o povo. Estes eram destinados a morar em pequenos apartamentos de prédios cinzentos e de baixa altura, no máximo três andares de escadas. Ao mesmo tempo, o governo destinava para cada família um terreninho, no interior, para ocuparem como hortas. Então, os moscovitas, nos fins de semana, abandonavam a cidade e iam para as suas “dashas”, diminutas casas de campo, nos arredores da cidade. Mas, agradeciam por serem donos de um pequeno espaço. Ali, dedicam-se a atividades bem mais produtivas do que apenas tomar um pouco de sol. Entre pás e canteiros, tratavam de arrancar da terra parte do que iriam precisar para comer, depois, em seus acanhados apartamentos. Não foram tempos fáceis.
Atualmente
Passando por esse interior, se pode observar que algumas propriedades aumentaram, pois os vizinhos foram comprando e conquistando mais espaço. Algumas pequenas residências estão conservadas e outras, novas, em estilo bem interessante. Por outro lado, há lugares abandonados. O fim de um regime autoritário de décadas e a conquista de uma liberdade de expressão, sem paralelos na história do país, deixaram o povo perdido, procurando entender e a se adaptar. Acostumados a viverem sob a tutela do governo, precisaram se reinventar.
Conclusão
Em vez de viajar de trem de São Petersburgo a Moscou se pode fazer um cruzeiro pelos Canais dos Czares. Não realizei esta viagem, mas gostaria de fazê-la, por ser muito interessante. O cruzeiro de São Petersburgo a Moscou seria pelos Rios Volga e Svir. Aqui, lembro a bela valsa “Os Barqueiros do Volga”. A viagem passa pelas margens dos lagos Onega e Ladoga e conhecendo lugarejos onde há mosteiros e igrejas do Século XI. Próximo a Moscou, está a capital da Igreja Ortodoxa Russa, na pequena cidade de Uglich, fundada em 1148. Ela conserva sua beleza graças à arquitetura original de madeira, incluindo a célebre Igreja Tsarevitch, construída em memória do filho de Ivan, o Terrível, morto misteriosamente nesse lugar. Nas margens do Lago Onega, está a extraordinária Igreja da Transfiguração, em madeira, com 22 cúpulas, do século XVIII sem nenhum prego. Essa viagem seria uma experiência autenticamente russa.