Acho que foi na 4ª série que uma professora de português sentenciou que o meu texto, em questão, não me lembro bem o tema, talvez, sobre a história da família, tinha muitas ideias e que era preciso organizar melhor o raciocínio e aquilo que eu queria desenvolver. Digo, sentenciou, no melhor dos sentidos, porque, ainda hoje, quando começo a pensar num artigo, muitos anos depois, acontece a mesma coisa, muitas ideias surgem e fico na dúvida qual delas seguir, em qual embarcar para, aí sim, colocar as palavras no computador.
Nesta semana, ao fazer a minha coluna de fim de semana do Jornal Bom Dia, esse processo não foi diferente, raras vezes um texto sai de pronto, como se diz, acabado para ler, do início ao fim, dá pra contar nos dedos quantas vezes isso aconteceu.
A regra geral é, na quase totalidade, escrever, apagar, reler, rever, remoer, regurgitar, ruminar as ideias, dar um tempo, voltar, editar, conversar com os colegas, enfim, cozinha-las até que algo surja daí.
A parada para conversar com os colegas é sempre muito produtiva e satisfatória, porque somos de gerações diferentes, com divergências saudáveis, o que é positivo e construtivo. Mas também há afinidades, em valores e ideias, o que é vital, pelo menos pra mim, porque mostra que aquilo que importa e tem significado – aqui caberiam muitas explicações, vou resumir, o que está ancorado no razoável, respeito, amor -, sobrevive ao tempo e continua se proliferando na sociedade, nem que seja por conta-gotas e seja sempre o melhor contraponto.
Nestas conversas de Redação surgem os mais variados assuntos e pontos de vistas como, por exemplo, política, cultura, tecnologia, futebol, cotidiano, o assunto do dia, enquanto tomo uma legítima dose, bem consistente e encorpada, de café de redação, pelo menos, como a do Bom Dia, que é aquela em que é preciso mascar o líquido de cor marrom – indicativo da sua natureza - antes de engolir.
A escrita desta coluna se dá no espaço de tempo de um dia de trabalho, meio-dia, ou até, no aperto do dia, em algumas horas. Entonces, voltando à realidade, uma das ideias que mais me marcaram, nesta semana, surgiu ao ler alguns absurdos da política brasileira. De novo. É algo impressionante, mas pelo lado ruim, decadente, infelizmente. É cada vez mais difícil ler algo bom neste assunto, e, sem média, vou fazer um parêntese, com relação às gestões públicas municipais que, literalmente, vêm salvando o couro da população, enquanto os congressistas relegam e condenam a população ao ostracismo, sem nenhum pudor. Como se chega a tal ponto de decadência. Sim, porque não consigo encontrar outro termo para definir este modelo de conduta que, simplesmente, despreza, ignora, o trabalho para o qual está eleito.
A partir daí, fiquei martelando aquelas informações que se instalaram como um trapézio na mente, gerando desconforto permanente e muita indignação, porém, criando os insumos necessários para gestar e acolherar as palavras com cores, cheiros e significados. Sim, pois elas têm tudo isso.
Os Congressistas, deste país, parecem que perderam, completamente, o senso de realidade, sequer tem o mínimo daquela conexão fundamental com as necessidades reais da população brasileira, que não vive na bolha brasiliense, mas sob a batuta de todo tipo de desfeitas, injúrias, dificuldades, suportando o dia, sim, porque não há opções, senão suportar.
Aí vem a questão final, saber se o texto, o resultado deste trabalho, que é muito particular de cada um que se dedica a este ofício, ficou bom ou ruim. Bem, nesta parte não cabe a mim dizer, isso é tarefa dos leitores. E, assim, termino este artigo, numa objetiva demonstração de que não segui aquilo que pensei inicialmente.