Sim, o panda é uma criatura fofa.
Mas vamos falar a real: em termos de eficiência, ele é praticamente o estagiário que esqueceu o crachá e a senha do computador.
Veja bem: é um urso (carnívoro) que, num lapso evolutivo, decidiu viver de bambu, uma planta que oferece quase nenhuma energia. Resultado: passa o dia comendo, não se reproduz direito, tropeça sozinho e, se não fosse pela proteção dos humanos, já teria virado lembrança em livro de biologia.
Agora imagine a cena: uma “manada” de pandas (se é que eles conseguiriam andar em grupo sem se perder). No meio, um deles é escolhido como líder.
O que faz esse líder? Nada. (Mas será que faz nada melhor do que os outros?)
Apenas mastiga bambu com cara de paisagem, enquanto os outros, igualmente ineficientes, o seguem.
E aqui nasce a metáfora cruel: em muitas empresas, o que se vê é exatamente isso. Um líder-panda à frente, escolhendo a dieta errada (estratégias fracas), gastando energia no que não alimenta o crescimento (projetos inúteis) e ainda incapaz de inspirar a reprodução de boas práticas.
E o pior? Assim como os pandas reais, a “manada” segue obediente, mesmo sabendo que aquilo não leva a lugar nenhum.
A pergunta que trago é: será que existe outra espécie, além dos humanos, capaz de seguir cegamente um líder estúpido?
Até onde se sabe, não.
A zebra não segue a mais idiota do grupo, mas a mais rápida. O lobo segue o mais forte. O golfinho segue o mais ágil.
Só nós, humanos, temos o talento raro de eleger (e até reeleger) nossos próprios pandas.
No fim das contas, o panda sobrevive porque alguém acha graça e cuida dele.
Já o líder-panda, se ninguém abrir o olho, pode levar a empresa inteira junto para o bambuzal da irrelevância.