Na última sexta-feira, 29, foi o Dia Nacional de Combate ao Fumo, uma data de extrema importância para a saúde pública, especialmente diante do aumento no consumo de cigarros eletrônicos entre jovens. O pneumologista Dr. Lucas de Brida Andrade falou sobre os riscos do tabagismo, as doenças associadas ao cigarro e os caminhos para quem deseja parar de fumar.
Luta coletiva contra o tabagismo
Para o Dr. Lucas, a data é fundamental para reacender o debate sobre os perigos do tabaco e mobilizar ações de conscientização. "O tabagismo, seja por meio do cigarro tradicional, charuto, fumo, narguilé ou cigarros eletrônicos, continua sendo a principal causa de morte evitável no mundo", ressalta.
Apesar de uma discreta queda no consumo nos últimos anos, os impactos do tabagismo seguem alarmantes. A divulgação de informações confiáveis pode ajudar na prevenção, principalmente entre os mais jovens, e também no apoio àqueles que buscam abandonar o vício. "A luta contra o tabagismo não é apenas individual, mas coletiva e, o conhecimento é uma das ferramentas mais poderosas nesse processo", destaca o pneumologista.
Início precoce
Em sua prática clínica, Dr. Lucas observa um fenômeno preocupante, que é a experimentação precoce do tabaco. Dados do país, mostram que a idade média de início é de apenas 16 anos, e dados de 2019 mostram que cerca de 20% das meninas e 15% dos meninos entre 13 e 15 anos já experimentaram cigarro ao menos uma vez. “Começar a fumar tão jovem aumenta o tempo de exposição aos danos do tabaco ao longo da vida”, alerta.
Doenças graves associadas ao cigarro
Entre as doenças respiratórias mais frequentes nos consultórios da região está a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que inclui o enfisema pulmonar e a bronquite crônica. Segundo Dr. Lucas, é uma condição debilitante, que afeta diretamente a qualidade de vida.
Além disso, o cigarro está ligado a uma série de cânceres, como os de pulmão, boca, esôfago e bexiga, e a doenças cardiovasculares como infarto e AVC. “Esses dados evidenciam o quanto o tabagismo é nocivo para o organismo como um todo e reforçam a importância de medidas preventivas, tratamento e conscientização contínua da população sobre os seus riscos”, afirma.
Apoio gratuito nas UBSs de Erechim
A cidade de Erechim conta com programas de apoio à cessação do tabagismo disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Nessas unidades, os fumantes podem ter acesso a tratamentos, como adesivos e gomas de nicotina, além de acompanhamento médico e suporte psicológico. “Incentivar e acompanhar a cessação do cigarro é uma das medidas mais eficazes para melhorar a saúde pulmonar e prevenir doenças crônicas”, destaca Dr. Lucas.
Cigarros eletrônicos
O crescimento do uso de cigarros eletrônicos tem preocupado especialistas, principalmente pelo apelo entre adolescentes. “Na região Sul, cerca de 23% dos jovens entre 13 e 17 anos já fizeram uso de cigarro eletrônico”, alerta o médico.
A composição desses dispositivos inclui nicotina líquida, aromatizantes e outras substâncias potencialmente tóxicas. “Muitos adolescentes começam com o eletrônico, atraídos pelos sabores e pela falsa ideia de menor risco, e acabam migrando para o tabagismo tradicional”, observa. Os riscos incluem doenças respiratórias, cardiovasculares e até a EVALI, condição pulmonar grave ligada ao vaping.
Dr. Lucas ainda chama atenção para a irregularidade no acesso: “No Brasil, a comercialização de cigarros eletrônicos é proibida. No entanto, a fiscalização ainda é falha, o que facilita o acesso indiscriminado, inclusive por menores de idade”.
Parar de fumar sempre vale a pena
Para aqueles que fumam há muitos anos e acreditam que não vale mais a pena parar, o pneumologista é categórico: nunca é tarde para parar. "A medida mais fundamental para reduzir os impactos do cigarro na saúde é parar de fumar, independentemente de há quanto tempo a pessoa fuma ou da quantidade de cigarros consumidos por dia", reforça.
Os benefícios são rápidos e progressivos. Em 20 minutos, a frequência cardíaca começa a normalizar. Em 12 horas, os níveis de monóxido de carbono no sangue se equilibram, em 15 anos, o risco de desenvolver doenças cardíacas é equivalente ao de um não fumante. Com o tempo, os riscos de doenças graves caem drasticamente. “Quanto mais cedo parar de fumar, melhor será a preservação da função pulmonar e da qualidade de vida”, afirma.
Estratégias para quem quer parar
Segundo Dr. Lucas, o primeiro passo é a decisão. “Reconhecer o vício e decidir enfrentá-lo exige coragem e força de vontade”, diz. Algumas dicas incluem:
- Redução gradual dos cigarros até o abandono total;
- Estabelecer uma data específica para parar;
- Evitar gatilhos associados ao ato de fumar;
- Buscar apoio profissional e familiar.