O cotidiano de nossa vida terrena
É irracional “nutrir a crença de que nunca seremos traídos e de que sempre seremos amados e entendidos plenamente por todos”. (As Dores da Alma, pg. 115)
Quando nos referimos à traição, não nos reportamos apenas às relações conjugais, mas às ideias, aos projetos de vida, aos segredos que confiamos a alguém.
É igualmente irreal afirmarmos que nunca seremos magoados; acreditar que nunca teremos decepções, ingratidões.
Estamos em um mundo ainda imperfeito. Somos imperfeitos e nossos familiares, nossos amigos, nossos amores também são imperfeitos.
Admitindo que podemos em algum momento sermos magoados, estaremos melhor preparados para resolvermos os conflitos e os desajustes emocionais. E vivermos em harmonia com os outros.
A mágoa poderá levar o indivíduo a desajustes em seu corpo físico e espiritual, resultando no mais das vezes, em rancor, ódio, antipatias, desânimo e perda do interesse pela vida.
Estar atento à ofensa, por exemplo, pode identificar o ofensor e a intenção da ofensa, e melhor conduzirmos os relacionamentos, substituindo a mágoa pela compreensão, pelo perdão, pela indulgência.
Se esperarmos pelo agressor para encontrarmos a paz, estaremos atrasando a cura para os chamados males da alma.
Ressentimento
Se por um lado vemos a mágoa atingindo aquele que se julga ofendido, o ressentimento possui um apelo de poder.
Quando contrariado, o indivíduo tem seu ego atingido, gerando sentimentos de ódio, rancor, ressentimento, mágoa. (Conflitos Existenciais, pg. 65)
Convém atentar, diz Joanna de Ângelis, que enquanto a mágoa tem caráter transitório, o mesmo não se dá com o ressentimento.
O ressentimento é o retorno constante da mágoa a causar perturbações emocionais e psicológicas.
O indivíduo ressentido sente constantemente a mágoa a lhe imputar o correspondente sofrimento, sem se aperceber disso, descontando no outro suas perturbações, suas frustrações, geralmente com agressividade.
Como vemos, mágoa e ressentimento andam muito próximos um do outro.