21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Opinião

A blindagem furada

teste
Rodrigo Vargas.png
Por Rodrigo Vargas – Jornalista

Para quem convive no Congresso Nacional, temas espinhosos são costumeiros, mas vez por outro somos brindados com projetos que parecem saídos de um manual de autoajuda para políticos em apuros. A PEC 3/2021, batizada pelos mais criativos de “PEC da Blindagem”, é um desses casos. A lógica era simples: se a vida lá fora anda perigosa, nada como reforçar a armadura. Só que, em vez de aço, a blindagem era feita de voto secreto, foro privilegiado e autorização prévia para ser investigado. Uma verdadeira fortaleza da impunidade.
Na Câmara dos Deputados, a proposta passou voando, com ampla maioria e para isso se costuraram acordos rompidos no meio do caminho, mas aprovada. Talvez pelo espírito de corpo, talvez pelo medo de que, amanhã ou depois, um deles fosse o próximo alvo de investigação. Afinal, quem não gostaria de uma cláusula mágica garantindo que qualquer processo só avance se os amigos do clube autorizarem?
Mas aí chegou ao Senado. E lá, diante da pressão das ruas e das redes sociais, da opinião pública e da vergonha que bate de vez em quando, a blindagem se revelou um colete de papelão. A CCJ rejeitou a PEC por unanimidade. Foi um espetáculo raro e lindo se acompanhar: todos juntos, sem distinção de partido, dizendo “não” a um projeto que cheirava mais a autoproteção do que a defesa da democracia.
Ironia das ironias: chamaram de “PEC da Blindagem”, mas a blindagem furou no primeiro teste de fogo. Ficou claro que, quando o barulho vem de fora dos palácios, seja das ruas ou das redes sociais, até o mais resistente dos escudos se desmonta.
No fim das contas, essa história deixa uma lição que imagino que deva ser lembrada no próximo ano. Não importa quão criativo seja o apelido ou quão articulada seja a narrativa, propostas feitas sob medida para proteger os próprios autores dificilmente resistem à luz do dia. A política, quando tenta se esconder, acaba ficando ainda mais exposta, e o povo é sempre quem tem a melhor arma: o voto.

Publicidade

Blog dos Colunistas

;