Uma reflexão sobre o que leva os jovens a permanecerem no campo ou optarem pela vida na cidade, palestras e relatos de experiências daqueles que decidiram permanecer no campo e estão felizes com a escolha marcaram o encontro que reuniu famílias em Erechim. O evento, que aconteceu em Erechim, na terça-feira (18), no Café Colonial Andreolla & Farina, na comunidade Lajeado Paca, teve o tema "Valorização da Família e do Jovem na Agricultura Familiar" e contou com a participação de beneficiários da Chamada Pública Sustentabilidade, executada pela Emater/RS-Ascar.
A assistente técnica estadual em Juventude Rural, Gênero e Educação Ambiental da Emater/RS-Ascar, Clarice Vaz Emmel Böck, passou um vídeo reflexivo destacando que na vida existem vários caminhos, e da decisão da escolha dos jovens realizarem seus sonhos. Ela falou sobre o tema Valorização da Família e do Jovem na Agricultura Familiar. "É um direito do jovem escolher o caminho que quer seguir, com responsabilidade e dedicação a esta escolha e realizarem seus sonhos". Também apontou o diálogo como fundamental entre a família, na contribuição da sucessão rural. A perspectiva é de que em 2030, 60% da população esteja nas cidades e 40% na zona rural. Hoje, segundo ela, 12% da população do Rio Grande do Sul vive no meio rural. Ela acredita no retorno dos jovens para o campo "buscando mais qualidade de vida". No entanto, observou que existem fatores que também podem dificultar a permanência dos jovens no campo, entre eles, a educação inadequada à realidade do meio rural.
A psicóloga Silvana Kirsten, do Centro de Referência da Assistência Social (Cras) de Erechim, juntamente com a estagiária de Psicologia, Daiane Zin, falou sobre "Relações familiares e o êxodo rural". "As saídas dos jovens do campo para a cidade se devem muitas vezes à busca pelo moderno, fazendo os jovens deste meio querer entrar nos moldes da juventude urbana", observou a psicóloga. O diálogo na família, a autonomia financeira dos jovens também são fatores preponderantes para a sucessão familiar, avaliou Silvana Kirsten. Na sua avaliação, os pais devem valorizar mais a atividade e instigar as crianças desde cedo e os jovens para que possam dar continuidade à agricultura familiar. Outros pontos relevantes da juventude rural, segundo ela, estão na oportunidade de trabalho e renda, conquistas de politicas públicas para o meio rural, espirito desafiador e criativo da juventude.
Após o almoço, houve atividade musical. Na sequência, relatos de experiências de cinco jovens agricultores familiares que optaram em permanecer no meio rural.
Jovens garantem que tomaram a decisão certa
Joel Dariva, que faz parte da terceira geração da família, que trabalha com grãos, avicultura e vitivinicultura, contou que aprendeu muito a dar valor a experiência dos mais velhos e ouvir seus pais. "Isso nos ajuda e evitar erros e tem sua função mais voltada para a fruticultura". Também recordou que desde que ingressou na faculdade de Administração nunca escondeu que era agricultor, enquanto seus colegas "omitiam que eram agricultores". Também disse que teve certeza de tomada a decisão quando visitou uma fábrica em Erechim. "Ali vi que não era aquilo que eu queria para mim e que tinha mais qualidade de vida no campo".
Amanda Andreolla contou que ela e seu irmão Jean decidiram ficar com os pais na propriedade. "Para ter sucesso é preciso muita garra e trabalho", disse ao relatar a experiência com atividades diversificadas da família, que abriu o Café Colonial Andreolla & Farina, uma agroindústria e comercializa na feira do produtor.
"Voltei da cidade porque vi que lá na era para mim". Tenho uma renda muito maior na propriedade, trabalhando com atividade leiteira, disse o jovem Luan José Pauletto, de 23 anos, casado com Kecilana, de 22 anos, e pai do recém-nascido Nicolas. Pauletto destacou o curso de Bovinos de Leite que fez no Centro de Treinamento de Agricultores de Erechim (Cetre) e também se capacitou em inseminação artificial.
"Enfrentei bullyng na escola quando disse que era agricultor", contou o jovem Joelson Irany Rech, que também optou pelo meio rural. Tinha preconceito dos jovens da cidade, lembrou. "Tem que vestir a camisa de agricultor e ter orgulho", disse. Seus pais trabalham com atividades voltadas à produção de cana-de-açúcar para produção de açúcar mascavo. Pretendo ficar na propriedade até o fim da vida. "Viver e trabalhar junto com a família é o que tenho de melhor", reafirmou. "Cada jovem que sai da propriedade é um a menos a produzir alimentos, tem que pôr amor em tudo que se faz". Para ele, ficar na propriedade tem que ser incentivado pelos pais desde pequeno.
Joel Zulian é outro jovem que relatou ter "orgulho de ser agricultor" e aconselhou os outros jovens a "não desistir de seus sonhos e que há oportunidades de expansão da agricultura familiar", destacando o cultivo de produtos orgânicos que promete ser promissor.