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Especial

Professor, um eterno aprendiz

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Por Maria Elaine Bernardes Brasil Forest
Foto Arquivo pessoal

Assim que recebi o convite da Luciane Bueno para falar sobre a profissão que escolhi para a minha vida, confesso que, num primeiro momento, pensei em não aceitar. O desafio me parecia grande — e de fato foi.

Ao refletir mais profundamente, percebi que o tema não era complexo, mas sim uma oportunidade de contar minha própria história como educadora, situada no tempo e no espaço. Revivi memórias, consultei documentos, recordei situações e, assim, retrocedi no tempo. Esse mergulho no passado me permitiu expressar com sinceridade o profundo desejo de ser professora desde pequena — sentimento que reencontrei ao revisitar minha trajetória.

Minha primeira experiência como aluna foi com uma professora contratada pelos meus pais, que veio morar conosco na fazenda que meu pai administrava, propriedade da família Goulart.

Tenho plena consciência e orgulho dessa história de lutas e de superação das próprias limitações, bem como das carências materiais vividas no interior. Olhar para o ontem me dá nova vida hoje. Sempre fui entusiasmada por acreditar em novas formas de existência e cultura, guiada pelas marcas que vivi e pelas crenças que cultivei junto de minha mãe e de meus irmãos.

A vibração da minha história continua a ser fonte de vigor e ternura, especialmente a partir do momento em que exerci a profissão de educadora. Sou profundamente grata a Deus por não ter desistido dessa escolha, apesar dos inúmeros percalços ao longo do caminho.

Estudei em escolas municipais e, por pouco tempo, no Colégio Medianeira. Concluí o curso de 2º grau no Colégio Professor Isaías e segui os estudos com Licenciatura em Letras – habilitação em Português e Inglês – pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Santiago (FAFIS). Posteriormente, obtive Licenciatura Plena em Letras, com habilitação em Língua Portuguesa e Literatura de Língua Portuguesa, pela Fundação de Integração, Desenvolvimento e Educação do Noroeste do Estado (FIDENE).

Realizei ainda curso de pós-graduação em Literatura Brasileira pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Imaculada Conceição, e graduei-me em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de Santo Ângelo.

Durante minha vida profissional, lecionei no interior, no município de Carovi, e nos colégios estaduais Cristóvão Pereira e Monsenhor Assis, em Santiago (RS). Em 1990, fixei residência em Santo Ângelo, atuando na Delegacia de Educação até minha aposentadoria pelo Estado, em 1992.

Dois anos depois, em 1994, retornei à docência com muito esmero e dedicação, lecionando na Fundação Regional Integrada (FURI), Campus de Santo Ângelo, nos cursos de férias. Em agosto de 1996, fui transferida para a Reitoria da mesma instituição, em Erechim, onde passei a assessorar a Pró-Reitora de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação, a saudosa professora Maria Regina Röeseler.

Ser professora, para mim, sempre significou muito mais do que transmitir conhecimentos ou aplicar avaliações. É ter paciência diante dos desafios e alegria nas pequenas conquistas. É assumir o compromisso de formar pessoas, ajudando-as a compreender o mundo e a construir seus próprios caminhos.

Ensinar é um ato de coragem e amor — é acreditar que o conhecimento pode transformar vidas.

Mais do que uma profissão, ser professor é uma missão: a de semear ideias, despertar sonhos e cultivar o futuro em cada mente que se abre para aprender, dando de si antes de pensar em si.

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