Hoje tive uma conversa show, daquelas que ficam ecoando na cabeça. Meu mano Francisco Lumertz (mestre) deu uma aula e trouxe uma provocação.
— Mano, Aristóteles dizia que as pessoas podem ser classificadas em quatro estados de caráter.
E começou a me explicar.
— O virtuoso faz a coisa certa porque ela simplesmente é a coisa certa;
— O continente sabe o que é certo, sente as tentações, enfrenta conflitos, mas vence a si mesmo e faz o que deve ser feito;
— O incontinente também sabe o que é certo, mas, diante da pressão, da oportunidade ou da conveniência, acaba cedendo;
— E o vicioso já não consegue mais distinguir o certo do errado, passa a justificar seus atos e acredita que sua conduta é absolutamente normal.
Tóin! Fiquei em casa pensando. Será que empresas também possuem caráter? Quanto mais reflito, mais acredito que sim.
Existem empresas virtuosas, e líderes também, onde a ética faz parte do seu DNA. Ninguém precisa fiscalizar para que façam a coisa certa.
Existem empresas continentes. Enfrentam pressões por resultado, vivem dilemas diariamente, mas a cultura, a liderança e a governança prevalecem.
Existem empresas incontinentes. Possuem códigos de ética, políticas, comitês, treinamentos, mas basta aparecer uma meta impossível, uma oportunidade irresistível ou uma crise para que seus princípios sejam flexibilizados.
E existem empresas viciosas, onde o desvio recebe outro nome, a fraude vira criatividade, o favorecimento vira relacionamento e a falta de ética deixa de causar desconforto.
Foi então que pensei no EESG, ou melhor, no EEESG. Sim, Francisco colocou um E a mais em destaque.
Ethics, Economic, Environment, Social, Governance. É que nada adianta falar em desempenho econômico, responsabilidade ambiental, compromisso social ou excelência em governança se a ética não vier antes de tudo. Talvez a Ética nem seja apenas mais um "E". Talvez ela seja o "E" que dá sentido a todos os outros.
Obrigado pela aula, Francisco. Algumas conversas terminam. Outras continuam ecoando e ensinando.