A amamentação é fundamental para a proteção, nutrição e desenvolvimento do bebê. A OMS e o Ministério da Saúde recomendam o aleitamento materno exclusivo até os seis meses e sua continuidade com alimentação complementar até os 2 anos ou mais. Embora seja um processo natural, pode apresentar desafios, principalmente no início, e o acesso à informação e ao acompanhamento é essencial para apoiar a família.
Colostro
A primeira hora de vida, conhecida como “golden hour”, é importante para fortalecer o vínculo entre mãe e bebê e estimular o início da amamentação. O contato pele com pele favorece os reflexos naturais da criança para buscar o peito.
Nesse momento, o bebê recebe o colostro, um líquido amarelo-dourado rico em anticorpos e nutrientes. Nos primeiros dias, a quantidade produzida é pequena, cerca de 3 a 5 ml por mamada, mas suficiente para o recém-nascido. Entre o terceiro e o quinto dia ocorre a apojadura, quando aumenta a produção de leite maduro.
Amamentação em livre demanda
O bebê deve mamar sempre que apresentar sinais de fome, sem horários rígidos. Antes do choro, pode movimentar mais os braços, levar as mãos à boca ou procurar o peito. Em geral, bebês saudáveis mamam de oito a 12 vezes ao dia, com duração variável conforme a eficiência da sucção.
Pega correta evita dor
Dor, feridas e rachaduras não devem ser consideradas normais na amamentação. Muitas dificuldades estão relacionadas à posição e à pega inadequada.
Na pega correta, o bebê abre bem a boca, abocanha parte da aréola além do mamilo, mantém o queixo encostado na mama e faz movimentos lentos e profundos. Quando pega apenas o mamilo, pode retirar menos leite, permanecer mais tempo no peito e ter dificuldade de ganhar peso.
Cuidados com as mamas
O empedramento ocorre quando há excesso de leite ou dificuldade de sucção. Massagens suaves e ordenha podem aliviar o desconforto. O leite retirado pode ser armazenado ou doado para bancos de leite humano.
Para rachaduras, recomenda-se aplicar o próprio leite materno nos mamilos e deixar secar naturalmente, além de evitar produtos agressivos e utilizar cuidados suaves durante a higiene.
Silicone e amamentação
Mulheres com implantes de silicone geralmente podem amamentar. A cirurgia costuma não impedir a produção de leite quando não há alterações importantes nas estruturas da mama.
Complementação e leite materno
A introdução de fórmulas infantis deve ocorrer apenas quando houver indicação profissional. Antes de concluir que existe baixa produção de leite, é importante avaliar a pega, a frequência das mamadas e a capacidade do bebê de retirar o leite.
Não existe leite materno “fraco”. O leite possui qualidade nutricional adequada às necessidades da criança, embora seja digerido rapidamente, o que pode levar o bebê a mamar com maior frequência.
Medicamentos, cigarro e álcool
Mulheres que usam medicamentos devem conversar com profissionais de saúde para avaliar a segurança durante a amamentação. O cigarro não é recomendado, pois suas substâncias podem passar para o bebê e interferir na produção de leite. O consumo de álcool também deve ser evitado, especialmente nos primeiros meses de vida.
Retorno ao trabalho
Voltar ao trabalho não significa interromper a amamentação. A mãe pode manter as mamadas quando estiver com o bebê e oferecer leite materno retirado nos períodos de ausência, preferencialmente em copinho.
Mulheres que trabalham e amamentam têm direitos garantidos pela legislação brasileira, como pausas durante o expediente ou redução da jornada até o bebê completar seis meses.