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Saúde

Mito sobre sangramento nasal pode aumentar riscos durante o episódio

Inclinar a cabeça para trás favorece o caminho do sangue para a garganta e não ajuda no controle do sangramento

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Sangramento nasal é comum e a forma correta de agir é inclinar a cabeça para frente e comprimir o na
Por Assessoria de Comunicação
Foto Divulgação

Na Medicina, algumas crenças populares permanecem mesmo sem comprovação científica. O sangramento nasal é um exemplo: a recomendação de inclinar a cabeça para trás ainda é comum, mas pode ser inadequada, pois favorece que o sangue escorra para a faringe, o estômago ou as vias aéreas, causando desconforto e riscos. Conhecida como epistaxe, a condição afeta cerca de 60% das pessoas ao longo da vida e é mais frequente em crianças menores de 10 anos e adultos acima dos 35 anos.

De onde vem o sangramento

A maioria dos episódios de sangramento nasal ocorre na parte anterior do septo nasal, região com muitos vasos sanguíneos próximos à superfície e mais sujeita a traumas, ressecamento e irritações. Casos que atingem a área posterior do septo são menos frequentes, mas tendem a ocorrer mais em pessoas acima dos 60 anos e podem ser mais difíceis de controlar.

As causas variam entre fatores locais e condições gerais do organismo. Em crianças, o hábito de mexer no nariz é uma das principais causas, enquanto em adultos o uso inadequado de sprays nasais, como descongestionantes, antialérgicos e corticosteroides, pode aumentar o risco de sangramentos. A aplicação correta do medicamento, direcionando o jato para as laterais internas do nariz, ajuda a evitar irritações no septo.

Ressecamento, medicamentos e doenças podem estar relacionados

O ambiente e alguns hábitos podem favorecer sangramentos nasais, especialmente em climas secos, períodos de frio intenso, exposição prolongada ao ar-condicionado e durante infecções que ressecam a mucosa. O uso de cocaína e traumas repetidos na região também são fatores de risco. Além disso, doenças que afetam a coagulação, como hemofilia, insuficiência hepática ou renal, leucemias e linfomas, podem aumentar a tendência a sangrar. Medicamentos como aspirina e alguns produtos naturais, como ginseng, alho em pó e ginkgo, também podem interferir na coagulação.

Pressão alta e sangramento nasal

Um dos mitos mais difundidos é que a pressão alta seria uma causa direta de sangramento nasal. Essa relação, porém, permanece controversa. Estudos realizados com grandes grupos de participantes não encontraram uma associação clara entre hipertensão e o surgimento de epistaxe.

Em algumas situações, o aumento da pressão arterial pode ocorrer depois que o sangramento começa, como consequência do medo, da ansiedade e da preocupação diante da presença de sangue. Por isso, nem sempre é possível afirmar se a alteração da pressão veio antes ou depois do episódio.

A maneira correta de agir durante a epistaxe

A maioria dos sangramentos nasais é controlada naturalmente e não exige atendimento médico. Como cerca de 90% dos casos ocorrem na parte anterior do septo, a principal recomendação é comprimir firmemente as asas do nariz por 15 minutos, mantendo a pessoa sentada, com a cabeça levemente inclinada para frente e respirando pela boca.

A posição evita que o sangue siga para a garganta, enquanto o tempo de compressão favorece a coagulação. Inclinar a cabeça para trás ou deitar não são medidas indicadas.

Se o sangramento persistir após a compressão, é necessário buscar avaliação médica. O controle pode envolver medicamentos locais, vasoconstritores, cauterização ou, em casos mais intensos, tamponamento nasal. Sangramentos posteriores podem exigir procedimentos mais complexos.

Apesar de frequente e geralmente sem gravidade, a epistaxe deve receber atenção quando for persistente, intensa ou acompanhada de sinais de alerta.

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