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Política

Erechim projeta mudança estrutural na gestão de resíduos para os próximos 30 anos

Revisão do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos é discutido em audiência pública na Câmara de Vereadores, na quarta-feira, 9

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Entre as propostas está a instalação da coleta automatizada e do sistema de contentores (conteineriz
Por Rodrigo Finardi
Foto Reprodução/TV Câmara

A gestão dos resíduos sólidos de Erechim deverá passar por uma transformação significativa nas próximas décadas. A proposta de revisão do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS), apresentada na quarta-feira, 9, durante audiência pública na Câmara de Vereadores, pelo Engenheiro Sanitarista, Cesar Augusto Arenhart, do Grupo Azimute, estabelece uma série de metas para reorganizar a coleta, o tratamento, a reciclagem e a destinação final dos resíduos produzidos no município.

O planejamento tem horizonte de 30 anos e parte de um diagnóstico que aponta desafios importantes no atual sistema. Entre eles estão o vencimento de contratos relacionados à coleta, transbordo, transporte e destinação; a inexistência de tratamento específico para a fração orgânica; a chegada de materiais misturados às associações de recicladores; a dependência de uma unidade externa para disposição final e a cobertura ainda limitada da coleta convencional na zona rural.

Um dos principais dados apresentados é que aproximadamente 16,15 mil toneladas de resíduos por ano seguem atualmente diretamente para aterro sem tratamento específico da fração orgânica. Além disso, cerca de 46% do material encaminhado às associações de reciclagem acaba como rejeito, em função do impacto da mistura dos resíduos na origem.

Outro ponto é a dependência de uma estrutura localizada fora do município. Atualmente, a disposição final ocorre a aproximadamente 100 quilômetros de Erechim, em aterro sanitário localizado em Santa Catarina, o que representa custos logísticos e dependência de uma unidade externa.

Metas progressivas

Entre as metas previstas estão a manutenção de 100% da coleta urbana, o aumento da coleta na zona rural e a universalização da coleta seletiva urbana. O plano prevê ainda reduzir de 46% para 20% o índice de rejeitos da coleta seletiva, aumentando o aproveitamento dos materiais que chegam às associações. Na triagem, a meta é elevar o aproveitamento de aproximadamente 54% para 80%.  

Uma das mudanças mais expressivas está relacionada ao aterro. A partir de 2034, o município pretende desviar aproximadamente 69% dos resíduos que atualmente seriam destinados ao aterro sanitário, encaminhando-os para tratamento, recuperação, reciclagem ou valorização.

Unidade de Tratamento e Valorização

Uma das principais novidades do planejamento está na chamada Unidade de Tratamento e Valorização de Resíduos (UTV). Pela rota tecnológica proposta, a unidade passaria a centralizar o tratamento dos resíduos da coleta convencional, resíduos da limpeza urbana e rejeitos provenientes da triagem das associações.

Aterro municipal poderá ser recuperado

Outro ponto abordado na audiência foi a situação do aterro sanitário municipal. O espaço encontra-se atualmente inoperante, com três células encerradas e sistemas de drenagem de gases que ainda deverão ser implantados.

O plano prevê a possibilidade de recuperação e melhorias da estrutura, com uma eventual operação a partir de 2029. A alternativa está condicionada à elaboração de projeto executivo, licenciamento ambiental, avaliação econômico-financeira e comprovação da segurança operacional.

Caso a estrutura seja retomada, a proposta é que ela receba apenas os rejeitos resultantes do novo sistema de tratamento e valorização, reduzindo significativamente a quantidade de resíduos enterrados.

Plano prevê mudança no modelo de coleta

Entre as propostas está a instalação da coleta automatizada e do sistema de contentores (conteinerização). O cenário definido pelo município prevê a implantação imediata de contentores no primeiro ano e uma expansão mais significativa da coleta automatizada.

A proposta contempla tanto a coleta convencional quanto a seletiva, com adequação das frotas e melhoria nos equipamentos destinados à higienização e manutenção dos contentores.

Desafios ainda são grandes

O diagnóstico apresentado deixa claro que a implantação do novo modelo exigirá investimentos, reorganização dos contratos e mudança de hábitos da população.

Foram apontadas deficiências na estrutura para recebimento de volumosos, entulhos e resíduos especiais, além da necessidade de melhorar o controle e o registro dos volumes movimentados.

A proposta estabelece que 100% dos fluxos tenham pesagem e registro, com implantação imediata dessa sistemática. As diretrizes apresentadas buscam reorganizar toda a cadeia, desde a geração, separação, coleta, transporte, triagem, tratamento, valorização, comercialização e disposição final. O resíduo deixa de ser visto como aquilo que precisa ser coletado e enterrado e passa a ser tratado como material que pode ser recuperado, reciclado, transformado e reinserido na cadeia produtiva.

População pode participar

A população pode participar ainda na elaboração final do plano encaminhando sugestões, críticas ou contribuições até o dia 20 de setembro pelo e-mail coordenadoriasaneamento@erechim.rs.gov.br.  Após, serão analisadas e consideradas no processo de consolidação do plano.

Essa consolidação é fundamental para que o município possa relançar o edital que está suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS), que apontou a necessidade da Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. A previsão é que até final de outubro seja reaberto o certame, que determinará a empresa que irá executar os serviços por 30 anos.

 

R$ 380,5 milhões em investimentos

O estudo econômico-financeiro apresenta um total de R$ 380,56 milhões durante a vigência do contrato. Entre os principais investimentos estão a coleta automatizada (R$ 173,36 milhões, a coleta seletiva automatizada (R$ 135,21 milhões), ecopontos, coleta convencional, aumento do aterro sanitário e implantação de uma central de triagem para as cooperativas. Estimasse R$ 639 milhões em despesas operacionais e administrativas ao longo dos 30 anos.

Mais de 31 mil toneladas de resíduos em um ano

De acordo com o diagnóstico, Erechim gerou aproximadamente 31.419,90 toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2025, uma média de 2.618 toneladas por mês. Desse total, cerca de 28.088,65 toneladas foram provenientes da coleta convencional e 3.331,25 toneladas da coleta seletiva.

Oito associações e 143 catadores

Um dos pontos destacados pelo plano é o papel das associações de catadores. Atualmente, são 143 catadores distribuídos em oito associações, responsáveis por parte importante da recuperação dos materiais recicláveis. Se identificou a necessidade de profissionalização, capacitação, melhoria das condições de trabalho, formalização de parcerias e aumento da produtividade das unidades de triagem.

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