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Opinião

Memórias de viagem

Europa Ocidental – Regiões Francesas – Île de France: Paris 2

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Marlei
Por Marlei Carmen Reginatto Klein – Membro da Academia Erechinense de Letras
Foto Marlei Carmen Reginatto Klein

A Paris Gastronômica é uma delícia! A capital francesa oferece opções para todos os bolsos e gostos de um sanduíche em um café a um banquete em um restaurante. A primeira regra de ouro, que é estabelecida ao chegar, é a de que é proibido comer “fast food”. Nada de hambúrgueres. Há uma oferta de “brasseries” – tipo lancheria - com sanduíches deliciosos, quiches e outras comidinhas que não devem ser ignoradas. E tudo pelo mesmo preço de um desse combinados de sanduíche, batata frita e refrigerante que se espalham pelas cadeias de lanchonetes. Só que os sanduíches das “brasseries” francesas não são lotados de gordura saturada e vão fazer você se sentir um parisiense de primeira linha. Parar em um café, no fim da tarde, ou comprar baguetes para preparar sanduíches com os amigos são típicos hábitos parisienses.

Mesas para todos: a principal decepção dos turistas acostumados a almoços com sucos e refrigerantes é a falta de bebidas realmente geladas. Estão somente frescas. O interessante seria tomar a água mineral francesa, que no Brasil é muito cara, mas é deliciosa. Uma taça de vinho sai bem mais em conta que sucos ou refrigerantes. É possível comer em uma “brasserie” ou em algum dos milhares de cafés com algo pelo preço entre 7 a 15 euros. Nos restaurantes, há as combinações: entrada, prato principal e sobremesa por uns 20 euros, sem a bebida. Deve-se ter a atenção de que vários cafés fecham entre 15h e 17h. Nos domingos, a sugestão fica para o Bairro de Marais, que conta com lojas simpáticas. O Le Pain Quotidien é de ambiente jovem e alegre com enormes mesas de madeira. Serve um ótimo “brunch” – café da manhã junto a almoço. Sugestão para comprar: a pasta de avelã – é deliciosa e um bom presente.

Diversidade na culinária francesa: quem vai a Paris não quer só comer lanchinhos – está interessado também na qualidade e na diversidade da culinária francesa. Nos arredores da Avenida Champs Elysées, no caminho para o Arco do Triunfo, há muitas opções. Uma é o Market que fica ao lado da tradicionalíssima casa de leilões Christie’s e pertence a um famoso cineasta. A decoração tem um tom africano e os pratos são uma mistura da tradição francesa com o ar étnico da decoração. A refeição fica em torno de 40 euros. Algo diferente está no Ponze. Neste, todos os pratos sempre trazem um toque de maçã, há uma profusão de doces, sidras e... maçãs. No Boulevard du Montparnasse está o La Coupole. Cada refeição é um convite a uma viagem sentimental. Nessa brasserie, uma das mais célebres da cidade, ela é amada pelos parisienses e turistas.  Seus tradicionais pratos de frutos do mar, com ostras e mexilhões, são servidos num local “art déco” que lembra uma estação de trem e que segue tão festivo e movimentado quanto no dia de sua inauguração, em 1927. A estrela do momento é a do Chef Alleno no restaurante Le Meurice. Este virou o queridinho da crítica gastronômica parisiense. Mas é para poucos, pois são 200 euros por pessoa e reservas são com antecedência. Após o jantar são servidos doces criados pelo Chef à base do chocolate.

Cidade luz subterrânea: a Paris, que poucos conhecem, tem passeios pelos esgotos, pedras ancestrais e esqueletos centenários. É assim que, debaixo da terra, a capital francesa diversifica o seu negócio. O cliente, nesse caso, é diferente. Ele vai porque quer, e não por sentir obrigação de fotografar o Arco do Triunfo, ver a Monalisa ou subir na Torre Eiffel. Com uma foto dos esgotos, esqueletos ou pedras ancestrais marcadas em latim, corre-se o risco de ouvir de alguém: “Com o Museu do Louvre por lá, tu vais justamente num esgoto de Paris?”

As catacumbas de Paris: são para quem já viu muito da Cidade Luz. A entrada das catacumbas fica na praça Denfert-Rocheau e custa 7 euros. O local é chamado de “Império da Morte”. A sua concepção começou, em 1785, quando o Cemitério dos Inocentes lotou e doenças se espalharam. Em 1814, a prefeitura levou para as catacumbas os restos de diversos cemitérios. Resultado: no local há 6 milhões de almas representadas em organizados arranjos de ossos. As caveiras e os ossos maiores foram montados de maneira artística. Os caminhos em meio às mortalhas somam 300 quilômetros, mas somente 1,5 quilômetros está liberado. No trajeto há placas com frases sobre a morte, textos sobre onde vieram os mortos e suas histórias.

Os esgotos: é uma aposta da prefeitura de Paris. Ainda são pouco procurados. Os esgotos têm infraestrutura para agradar aos turistas. Guias bem-humorados, plaquinhas explicativas, flechas de indicação e lojinhas no fim do túnel. O que comprar na lojinha? Um adorável ratinho de pelúcia, símbolo fofo de um lugar fedorento. Ao longo do trajeto que é de 2,4 quilômetros, apenas um pequeno trecho é para visitas. Tudo serve para explicar como a cidade foi saneada. A parte histórica fala de uma cidadela da Idade Média que descartava seus dejetos nas ruas e se tornou obcecada em resolver a situação. Hoje, são tratados 3 milhões de metros cúbicos de água por dia nas quatro estações de Paris, sob normas técnicas de limpeza. As Catacumbas e os Esgotos não fizeram parte das nossas Memórias. Somente os mencionei como curiosidades.   

Conclusão: Paris já foi definida como parente de Roma pelos seus museus, igual a Londres pelas livrarias e antiquários, rival de Berlim pelos teatros e cabarés, a filha mais velha de Nova York pelos clubes de jazz, a irmã maior de Moscou pelos cinemas e foi chamada a Imperatriz do Mundo pelos seus cafés. “Je t’ aime, ô capitale infâme!”, exclamou Charles Baudelaire – um poeta. Paris provoca as mais diferentes reações naqueles que aventuram a descoberta de suas formas e de sua alma. Quase já se disse tudo sobre Paris, mas ainda assim continua dando o que falar. Talvez, mesmo a fama dos franceses serem muito fechados, nada neste frio relacionamento, que um “bon jour” ou um “s!il vous plâit” não ajude a reverter.

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