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Opinião

Memórias de Viagem: Páscoa na Sicília – Itália

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Marlei Klein
Por Marlei Klein
Foto Arquivo

O número de quilômetros que percorremos nada tem a ver com os verdadeiros prazeres proporcionados pela viagem. A beleza inerente ao mundo, assim como a sensação de descoberta que ela nos promete, está em toda parte à nossa volta.

Reminiscências

Viajamos muito, meu marido e eu, pois sempre tivemos muito prazer em conhecer o nosso maravilhoso mundo. Num final de março e num mês de abril fizemos a travessia do Oceano Atlântico. Nosso navio, de bandeira italiana, partiu do Rio de Janeiro rumo a Livorno- Itália, porto próximo a Roma. Foram 25 dias de viagem à bordo. Ele zarpou às 6 horas da tarde rumo a Salvador. A baía da Guanabara estava linda, dourada, com o sol se pondo. Todos estavam no convés, no alto. Eram 17 andares. Brasileiros e estrangeiros, principalmente americanos e australianos, abanavam e diziam adeus à Cidade Maravilhosa. Foi saindo lentamente, ao som de suas sirenes, e logo estava em alto mar.

No dia seguinte atracou em Salvador- Bahia, onde passamos o dia visitando e curtindo a boa e velha terra de Jorge Amado. Nesse porto, embarcaram mais 500 passageiros. Junto havia um grupo de Roda de Samba. Dá para imaginar a festa e um sacerdote. O grupo musical tocava, todos os dias, junto às piscinas do navio. Os estrangeiros eram os mais animados. Com o sacerdote, havia Santa Missa todos os dias, para quem desejasse participar. Aconteceram também momentos de meditação ao som de piano. Foram momentos únicos.

À noite, o navio partiu rumo a Recife. Atracou bem cedo e descemos para recordar a linda Recife e Olinda. Foi um dia cheio com acompanhamento de guia local. Continuamos pela costa brasileira. No dia seguinte, passamos por Fernando de Noronha. Como foi bom visualizar esse arquipélago! Não tinha ideia da sua configuração. Realmente, é um tesouro do litoral brasileiro. Pássaros exóticos voejavam ao redor dos picos que floresciam das águas.

Itinerário da Viagem

Depois de Noronha foram três dias apenas de navegação. Foram dias de descanso, jogos, jantares, dança e confraternização com amigos, alguns já conhecidos de outras viagens. A parada seguinte foi nas Ilhas Canárias (Tenerife-Espanha), depois Ilha dos Açores-Portugal (Funchal e Madeira) e Lisboa, da Espanha- (Cidade de Carmen, Cadiz, Sevilla, Barcelona), França-(Aix-En-Provence ,a linda terra de Paul Cèzanne, e Marselha) e o Porto de Livorno- Itália, próximo a Roma. Em todos os lugares aconteceram paradas. Uns lugares com mais tempo que outros. O navio atraca, descemos e voltamos. É muito gostoso.

Ilhas Canárias

Santa Cruz de Tenerife foi um dos lugares que mais me encantou, pelo desconhecido. Uma montanha-ilha surgida no meio do oceano cercada de ilhas menores. É a capital das Canárias, que pertencem à Espanha. Não há areia em suas praias. Buscaram areia do deserto de Saara para alguns balneários. Esse arquipélago está apenas a 300 km do Continente Africano. As encostas são povoadas por casinhas brancas, que mais parecem ser um “Presépio de Natal”. Vinhedos alinhados cobrem as terras mais baixas.

Sevilla- Espanha

É uma das chamadas “cidades brancas” pela cor de suas casas. Já era época próxima da Páscoa e é a cidade espanhola onde a Semana Santa é mais comemorada. Já, pelas ruas, andavam confrarias- homens com longos trajes marrom, encapuzados, descalços e arrastando correntes. As casas e apartamentos enfeitados com tecidos vermelhos e folhas de palmeira com símbolos cristãos e laços. Toda a Semana Santa é feriado. Como gostei de conhecer essas tradições!

Sicília- Itália

O navio chegou, final da viagem, ao Porto de Livorno. Do aeroporto de Roma fomos para a maravilhosa Sicília, onde ficaríamos por quase duas semanas.

Taormina

Foi a cidade siciliana onde passamos a Páscoa. Linda cidade de beleza natural. As escolas italianas fazem um intervalo de duas semanas nesta época. No Dia de Páscoa as Igrejas estavam abertas para visitação. A mais bem decorada era a Igreja de San Giuseppe, do século XVII. Encontra-se no alto, emoldurada por uma montanha. Chega-se subindo uma escadaria dupla. O portal é entalhado em mármore rosa de Taormina. No altar central havia muitos pães e doces em formato de ovos e de ovelhas. O pão deve ser feito com fermento natural. Muitos ramos de trigo espalhados entre as oferendas. É, realmente, uma data muito religiosa.

Tradições da Páscoa Siciliana

As vitrines estavam lindamente decoradas. Enormes ovos de chocolate com a aplicação de flores de “marzipã”-  avelãs e açúcar- uma massa deliciosa e suave. Lindos limões sicilianos completavam a decoração. O símbolo da Páscoa não é o Coelho, mas o Cordeiro- La Pecora di Pasqua. Uma ovelhinha branca com lã em caracóis. Ela é vendida em embalagens com ela sentada sobre tiras de casca de limão e de laranja cristalizados. A verdadeira tradição é fazer, em casa, presentes como biscoitos de amêndoas, pães, cassatas- pão de ló recheado com creme de ricota com leite de cabra- e doces cristalizados.

Conclusão – A Pasquetta

Ou a Segunda do Anjo- é a segunda-feira pós Páscoa, que é feriado na Itália. Nesse dia, como presenciamos, todos saem de casa e vão fazer piqueniques com a família e amigos em parques. A ordem é fazer atividades ao ar livre. Não importa o tempo, pode até estar chuviscando. Muita alegria e fartura, bem ao estilo italiano de viver a vida. Alguns já levam a comida pronta, outros a preparam no local. No tempo em que estudava, no então Colégio São José, também na Pasquetta era feriado. Para os italianos “ a Vida é muito curta para renunciar a uma comemoração e a uma boa comida” .                                                

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