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Opinião

Abril, o mês do Município (IV)

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Henrique Trizoto
Por Henrique Trizoto
Foto Divulgação

Encerrando o ciclo acerca das atividades propostas pelo Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font em alusão ao Aniversário de 104 anos de Erechim, abordaremos as visitas ao Arquivo e a análise de seu corpus documental.

Peço licença aos leitores, para contar uma pequena (nem tão pequena, na verdade) passagem que ocorreu nos primeiros dias que este escriba reassumiu a coordenação do Arquivo: recebi a visita do amigo e fundador do Arquivo professor Enori Chiaparini, que na ocasião me presenteou com uma obra sobre o jovem Marx e algumas folhas dobradas (hábito que o professor Cassol também possui) e não falou nada a respeito. Após sua saída observo que na primeira folha continha uma matéria impressa do site da Prefeitura que mencionava a ida dos processos crime e cível para o Fórum de Erechim (este rico acervo estava no Arquivo desde 2000 por intermédio do já saudoso Altair Menegati). Percebi, naquele gesto, o verdadeiro peso de gerir um espaço de memória (escrevi sobre em agosto passado) e, que estava ali a primeira grande tarefa trazer os processos de volta para casa. Após sentença favorável do Fórum na última quarta-feira, um mutirão que contou com os colegas da Secretaria de Cultura e Esporte e do Parque de Máquinas (Secretaria de Obras), os processos voltaram ao Arquivo (serão digitalizados e reacondicionados em parceria com o Curso de História e do Laboratório de História Oral da UFFS), e logo, voltarão a ser pesquisáveis. PS: as 16h quando já estávamos de volta ao Arquivo, entra sorridente e feliz o professor Enori Chiaparini para ver se não era uma pegadinha de 1º de abril. Não era. Vencemos amigo!

Dito isso, precisamos compreender primeiramente que: “O documento é inócuo. É antes de mais nada, o resultado de uma montagem, consciente ou inconsciente, da história, da época, das sociedades que o produzem, mas também das épocas sucessivas durante as quais continuou a viver, talvez esquecido, durante as quais continuou a ser manipulada, ainda que pelo silêncio. O documento é uma coisa que fica, que dura, é o testemunho, o ensinamento (para evocar a etimologia) que ele traz deve ser em primeiro lugar analisado desmistificando-lhe o seu significado aparente. O documento é um monumento. Resulta do esforço das sociedades históricas para impor ao futuro – voluntária ou involuntariamente determinada imagem de si próprio” (LE GOFF,1996, p. 548).

Assim, buscamos que os Arquivos sejam compreendidos como “inúmeros dispositivos diferentes usados no processo de transformar memórias individuais em lembranças coletivas” (KETELAAR, 2019, p. 245). Assim, oferecemos aos visitantes, principalmente oriundos das escolas da cidade, a oportunidade de manusear fotografias antigas (devidamente acondicionadas em folhas de sulfite 60 dentro de folhas plásticas e separadas por pastas), para sentirem como é manusear uma fonte primária de pesquisa. No restante da visita conhecem a sala de jornais e as principais técnicas para seu manuseio. Por fim, conhecem o acervo permanente e de que forma ele pode ser acessado e manuseado.

A proposta visa despertar nos visitantes um olhar mais cuidadoso com relação a documentos e fomentar a conscientização de sua importância para a construção / reconstrução / análise da sociedade, para que se sintam parte deste processo e compreendam as relações sociais, econômicas e políticas que permeiam cada um dos acontecimentos representados / apresentados nas fontes documentais.

Referências

KETELAAR, Eric. (Des) construir o arquivo. In: HEYMANN, Luciana; NEDEL, Letícia (org.). Pensar os arquivos: uma antologia. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2018.

LE GOFF, Jacques. “Documento Monumento”. In: História e memória. Trad. Bernardo Leite. 2 ed. Campinas-SP: Editora UNICAMP, 1996.

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