Brasil- uma terra dos sonhos de milhões de homens que vieram povoá-la por vontade própria ou à força. Sua natureza é ora exuberante, ora violenta. O solo é fértil ou arrasadoramente estéril. Toda a variedade de climas, relevos e vegetações se apresenta aqui, em cores fortemente contrastantes...
Reminiscências
O trabalho na terra, para aqueles que migraram, simbolizava duras condições de vida. As dificuldades de sobrevivência os fizeram partir em busca de mais segurança e bem viver. Assim, meu avô paterno- Giuseppe Paolo Reginatto- com sua família, deixou a Itália. Partiu do Porto de Gênova e chegou em Buenos Aires- Argentina. Giuseppe, seus pais e irmãos receberam terras na Província de Córdoba – Rio Cuarto. Iniciaram a plantar trigo e a criar gado. Com o tempo, foram adquirindo mais glebas. Alguns anos passaram e, meu avô com alguns primos, venderam as suas partes e vieram a se estabelecer no Rio Grande do Sul- Santa Cruz e Venâncio Aires.
Conhecendo as terras deixadas e parentes que lá permaneceram-
Viagem de carro
Há alguns anos, levamos meus pais para conhecerem os lugares onde a família de Giuseppe Paolo Reginatto se fixou na Argentina. Era o mês de janeiro. Não tínhamos muita informação de como lá chegar, somente alguns endereços. Chegamos a Uruguaiana e entramos na Argentina por Paso de Los Libres rumo a Concórdia. Em cada posto policial passávamos bem devagar, quase parando e com as janelas abertas, sorrindo, como turistas mesmo. Poucas vezes nos abordaram. Fomos parando, sem pressa, fazendo refeições em restaurantes e posando em hotéis no caminho.
O Eurotúnel do Rio Paraná
Este rio brasileiro corre em terras argentinas e vai desaguar no Rio da Prata, em Buenos Aires. Um pouco antes de chegar à cidade de Rosário encontramos o Rio Paraná. Muitos trevos e pedágio para chegar ao túnel subfluvial. A entrada é bonita e cuidada com flores e vegetação baixa. Começamos a passagem muito segura e com sinaleiras. Passamos por baixo do Rio. Curioso, diferente, seguro e nem se percebe que estamos com um rio por cima. É uma obra antiga, mas não deixa de ser moderna. Tem 2.397 metros e liga Entre Rios à capital de Santa Fé.
Província de Santa Fé
A cidade de Santa Fé é a capital e a mais populosa da Argentina. Está localizada à beira da Lagoa Setúbal e às margens do Rio Salado. Nessa Província, duas cidades são importantes: Santa Fé e Rosário. O destaque de Santa Fé é a Ponte Vermelha. Ela é suspensa e símbolo da cidade. Lindo e interessante o Convento San Francisco com detalhes em madeira.
Em Santa Fé encontramos duas primas do meu pai. As famílias nos esperavam. Fomos recebidos com muita alegria e muita festa. Eles trabalham com transporte de carga rodoviária. Chamou-nos a atenção a semelhança fisionômica deles com a família brasileira. Alegria e confraternização. Muita carne assada e destaque para os doces, principalmente os folhados com creme. Tudo acompanhado de bom vinho licoroso, produzido pelas famílias. Acabava a refeição já vinha um café e assim foi o tempo todo. Com tristeza, nos despedimos e fomos rumo a Córdoba.
Província de Córdoba
A sua capital é a cidade do mesmo nome. CÓRDOBA está entre os Andes e os Pampas. Situada entre as fronteiras andinas- clima árido- e os Pampas – extensos pastos e campos de trigo. Próspera província com grande diversidade de sua população. Uma cidade com arquitetura colonial espanhola e uma metrópole industrial. Possui uma Universidade importante fundada em 1614 pelos jesuítas. Ela elevou a cidade à condição de Capital Intelectual Argentina, sendo, junto com a de Lima-Peru a mais antiga de toda a América do Sul. Córdoba, de construção ancestral, recebe em seus centros universitários estudantes do mundo inteiro para aprenderem novas tecnologias. Pelas ruas da cidade, estudantes sorriem e sem preocupação, ao lado de operários recém-saídos das usinas, conferindo-lhe uma atmosfera única e calorosa. É a segunda cidade em demografia. É rival de Buenos Aires. O belo centro histórico guarda rica arquitetura e mais distante está a moderna metrópole.
Encontramos familiares de mais uma prima. Possuíam fazenda, mas moravam na cidade por causa dos estudos dos filhos. Nos receberam com alegria. Nesse tempo já era Carnaval. E ficamos conhecendo como se divertem. Gostam de jogar água. Durante o dia, passam carros e até caminhões com o pessoal jogando balões de água nos transeuntes. Todos saem para as ruas em verdadeira diversão. É uma batalha com água.
Rio Cuarto- Província de Córdoba
É a segunda cidade mais importante da Província. Localiza-se a 230 km ao sul da cidade de Córdoba. Recebe o nome de Rio Cuarto por causa do Rio do mesmo nome, que por ela passa. Também passam os Rios Primero, Segundo e Tercero e todos vão desaguar no Rio Paraná. Encontramos nove primos do meu pai. Todos fazendeiros na Região do Pampa Argentino. Fomos visitando todos, que já nos esperavam. Região do gaúcho argentino. As suas fazendas produziam trigo, soja, milho e criavam o “gado brangus”. Muito bem equipadas com silos metálicos, casa para peão, galpões e maquinário. A casa sede era muito confortável com geração própria de energia, cata-ventos para puxar a água e piscinas. Foram tempos de festa a qualquer hora do dia e da madrugada. Chimarrão, churrasco e doces de figos de árvores centenárias. À noite, os homens a cavalo, corriam atrás da caça. Um congraçamento entre parentes que se encontraram- a arte do bom convívio e a alegria de conhecer familiares distantes e que ficaram para sempre em nossas lembranças.
Conclusão
A viagem para conhecer as origens foi o melhor presente que o meu pai recebeu. Ele nunca esqueceu aqueles que encontrou. Por muito tempo continuaram as comunicações por carta e por telefone. As trocas não cessaram de lembrar os laços de uma família que migrou de tão longe para o desconhecido. Mas, perpetuaram tradições ricas de um passado tumultuoso. A CURIOSIDADE SEMPRE CONDUZIU O HOMEM E O TURISTA DE HOJE, EM DIREÇÃO A LUGARES DESCONHECIDOS E ATÉ DE INSONDÁVEIS MISTÉRIOS. A VONTADE DE SABER O QUE ACONTECEU E DO QUE SOMOS HERDEIROS.