O número de quilômetros que percorremos nada tem a ver com os verdadeiros prazeres proporcionados pela viagem. A beleza inerente ao mundo e a sensação de descoberta nos prometem muitos bons momentos, além da poltrona da nossa casa
Reminiscências
Nos séculos XIX e XX, na Itália, o êxodo italiano aconteceu pela necessidade de escapar das dificuldades econômicas, das guerras e das revoluções. Para o Brasil, vieram muitos desses imigrantes. No Sul eram chegados principalmente da Região do Vêneto- norte da Itália, junto às Montanhas Dolomitas. Vieram da Província de Vicenza cuja capital é Veneza. Migraram de lugares empobrecidos em busca de uma vida melhor.
Veneza
Capital da PROVÍNCIA DE VICENZA é um dos destinos mais românticos do mundo. VENEZA é capaz de seduzir e intrigar os visitantes como nenhuma outra cidade. Mística ligação entre o Oriente e o Ocidente. Apesar de séculos essa cidade ainda consegue encantar. O inesgotável fluxo de turistas, e que ela atrai, começou a se formar há mais de mil anos. Um escritor afirmou que uma visita a Veneza é o início de um eterno caso de amor. A cidade, ao entardecer, espalha luzes e sombras sobre os afluentes do Grande Canal e sobre as águas do porto que se direcionam ao Mar Adriático.
O charme de Veneza
O tempo passou, mas em Veneza nada se alterou. Na cidade que flutua, os passeios são feitos de gôndolas, os táxis são barcos a motor e os autocarros chamam-se “vaporetto”. Os barcos-lotação são excelentes para quem não se anima a andar a pé. Mas, o interessante é se perder entre os becos. Por própria experiência, perder-se pelas ruelas e pontes é a melhor maneira de descobrir a cidade. Vamos encontrar pracinhas onde os venezianos estão e vamos manter um verdadeiro contato com o lugar. Não é preciso ter medo, pois as muitas placas indicam como voltar. Num dia frio de outono e de lento sol o convite é para “lagartear” nos bancos de praças.
O destino mais Romântico Do Mundo
Veneza ocupa lugar de destaque no coração e no imaginário de todos. A cidade não é só romântica, é fascinante. Conhecida por ser de beleza eterna. Nada enfeia aquele lugar, nem o monte de turistas, nem a água noturna que invade a Praça San Marco, nem o canal, às vezes, mal cheiroso de onde uma atriz de cinema famosa atirou-se para nadar em suas águas.
A cidade não precisa de roteiros para explorar. Basta andar e descobrir o novo em cada detalhe. Das jardineiras das janelas dos sobrados onde brotam amores-perfeitos até as águas esverdeadas do Mar Adriático, por onde flutuam as gôndolas, tudo é motivo para viver a paixão.
Carnaval de Veneza
Até à sua queda diante do exército de Napoleão em 1789, o Império Veneziano, com mil anos de existência, parecia apenas sustentado pelo seu ‘CARNAVALE’. Um evento anual que atraía pessoas muito ricas de todas as cortes da Europa. Elas tomavam parte das festividades libertinas e descomedidas, que se prolongavam por semanas. Em 1980, o Carnaval de Veneza retomou a sua glória. Ele é uma reencenação da Sereníssima República com muitas perucas empoadas, tecidos finos e cascatas de rendas. Fantasias, à moda do século XVIII, que evocam personagens do teatro italiano. Carnavalescos participam de Bailes de Máscaras, à luz de velas, em requintados salões de palacetes. São convidados especiais de poderosas famílias nobres descendentes dos doges. Doge é um magistrado da antiga República de Veneza.
Para quem pode pagar, acontece também uma das festas mais suntuosas da cidade. É o Baile do Doge realizado no Palazzo Pisani Moretta, do século XV. É uma residência particular no Grande Canal de estilo barroco. O acontecimento é uma noite de banquetes extravagantes e de músicos com trajes do século XV que perambulam pelo palácio. Tudo acontece em uma atmosfera mágica, iluminada por mais de 1 000 velas. Tudo recriado para lembrar que a vida em Veneza era mesmo como um sonho.
Lembrança do Carnaval de Veneza
Estivemos, algumas vezes, na época do Carnaval em Veneza. A comemoração é muito diferente da do Brasil. Tudo acontece na Praça San Marco. Muitos concertos, música ambiente clássica e nada lembrando que é Carnaval a não ser pelos mascarados. Fantasias riquíssimas e máscaras elaboradas, inclusive com detalhes em ouro. Casais desfilam vagarosamente esperando serem filmados, fotografados ou elogiados. Não se imagina quem está por trás da indumentária toda. Ao som de Vivaldi, pedimos para sermos fotografados com um lindo casal em trajes do século XIV. Muito educados, permitiram várias fotos e não falavam nada. Só gestos. No final, tiraram a máscara, por uns minutos, e nos disseram que eram do Rio de Janeiro. Que bela surpresa!
Café Florian
É a melhor opção da Praça San Marco. Com bom tempo, as mesas estão nas calçadas, onde sempre há orquestras tocando. A pedida é um bom café ou uma taça de vinho regional acompanhado de pequenas porções de comida, os tira-gostos típicos.
Conclusão
Em Veneza, os mercadores negociavam os ricos tecidos de veludo e sedas orientais que chegavam ao porto do Mar Adriático. Ali, também os grandes pintores como Tiziano, Tiépolo e Veronese trabalharam. Nessa cidade, Vivaldi compôs suas mais inspiradas músicas. Mariano Fortuny, um artista, reproduziu em veludo, as vestes riquíssimas das mulheres dos quadros de famosos artistas. Régias capas com palas estruturadas em tecidos com reflexos e degrades em castanho foram a pompa teatral para as óperas da época. Essas vestimentas, hoje, são encontradas no Palácio Orfei de Veneza.