Na matéria anterior, evidenciamos que a “qualidade das mudas são fatores determinantes para a produtividade de um erval. Portanto, o produtor (mateicultor) deve se preocupar muito mais com a procedência da semente e a qualidade da muda que está comprando, do que simplesmente seu tamanho e preço”. Mas, o que é uma muda de alto padrão de qualidade e genética conhecida?
Alguns parâmetros são fundamentais para se ter uma muda de alto padrão de qualidade, tais como: 1º) uma muda deve ter no máximo 1,5 vezes o tamanho da embalagem, ou seja, se a embalagem for saco plástico e tiver 20 centímetros de altura, a muda não pode ter mais que 30 centímetros de altura, sob pena do sistema radicular já estar enovelado e cachimbado; 2°) as folhas devem ter tom verde escuro ou verde amarelado (se for rustificada ou soleada), sem presença de pintas pretas, manchas escuras, pontas ressequidas ou folhas enroladas e retorcidas, que caracterizam mudas atacadas por pragas (ampola, ácaros) e doenças (fungos, bactérias); 3º) ser bem folhada com no mínimo 5 pares de folhas, se for desfolhada é sinal de ataque de pragas (ampola) e fungos aéreo ou de raiz; 4) preferencialmente, que estejam rustificadas ou soleadas, isto quer dizer pegando sol direto no viveiro a no mínimo um mês (sem cobertura de sombrites, folhas de coqueiro, assim estarão preparadas para as adversidades quando forem plantadas a campo, não necessitando de cobertura com tabuinhas ou outro tipo de proteção).
A planta erva mate possui um sistema radicular complexo, com raiz principal denominada pivotante, ou seja, raiz profunda, como se fosse a “espinha dorsal”. As raízes secundárias são aquelas que dão sustentação a planta (saem na lateral) para mantê-la em pé, e possibilitam a formação de uma rede de raízes terciárias e quaternárias (cabeleiras, que se desenvolvem a 1 a 3 centímetros abaixo da superfície do solo), cuja função é absorver a água e os nutrientes do solo.
Ora, se as raízes saem defeituosas do viveiro, como esta planta irá absorver água e nutrientes? Como esta planta irá crescer? Há um ditado popular que diz: “pau que nasce torto não se endireita mais!”.
Também, é importante dizer que é nas folhas que as plantas produzem o seu alimento, através do processo denominado fotossíntese. Fazendo uma analogia, seria a panela que usamos para cozinhar. O sol (energia), mais a água (liquido), e os nutrientes absorvidos do solo acabam sendo sintetizados produzem o alimento. Se as raízes estão defeituosas, boa parte dos nutrientes e a água não conseguem ser absorvidos pela planta, consequentemente há pouca produção de massa verde, baixando a produção de folhas e ramos.
Vale frisar que mudas grandes, além das dimensões acima expostas, terão suas raízes (de) formadas “numa camisa de força”, ficarão defeituosas, tortas, enroladas, tipo pé de pato. Depois de plantadas, estas mudas não conseguirão mais endireitar suas raízes. É por isso, que não conseguem se desenvolver, ficam deficientes (raquíticas e fracas), de folhas pequenas e amareladas, facilmente atacadas por doenças e pragas, e vão definhando aos poucos, levando 3 a 5 anos para morrer.
A questão genética que foi evidenciada na primeira matéria desta Coluna, demonstrou que “tudo começa na semente”, ou seja, as sementes são “os filhos”, que carregam as características genéticas dos pais, dando continuidade a “raça”.
Da mesma forma, existem parâmetros de qualidade genética para serem observados na escolha de uma árvore superior ou matriz, especificamente para erva mate, quais sejam: 1º) estrutura de copada bem formada, com ramificações abertas em formato de taça; 2º) grande produção de folhas e poucas sementes; 3º) planta deve ser sadia e vigorosa; 4º) a questão do sabor do produto, também é um determinante para a escolha da árvore matriz para as indústrias ervateiras. Esta questão vai se discutir posteriormente em outra matéria.
Portanto, fica evidente que a produtividade de um erval está intimamente ligado a genética e o padrão de qualidade da muda. Estas, entre outras, são as razões de um erval produzir 400 arrobas por hectare por safra numa determinada área, e outro numa área vizinha produzir 1.500 arrobas por hectare por safra.
Por tudo isto, um PROGRAMA DE MELHORAMENTO GENÉTICO DA ERVA MATE, e cursos de capacitação e treinamento a viveiristas e produtores de erva mate é necessário e fundamental.