Reminiscências
No Sul do Brasil vieram muitos camponeses da Região do Vêneto e da Região da Lombardia, do Norte da Itália. São regiões próximas e aos pés das montanhas. Vinham dispostos a tudo enfrentar, pois buscavam o sonho de uma vida melhor. Nada tinham a perder e rumaram ao desconhecido. Quando o homem, rompendo as fronteiras que ele próprio convencionou, decide partir e ao chegar é recebido como um irmão, está provando que o nosso mundo também pode ser feito de esperança e amizade, não só de ódios ou dissenções.
Lombardia- Bellagio
A mais bela de todas as cidades italianas com lagos. Às margens do promontório coberto de bosques, onde se encontram os Lagos Como e Lecco, as pessoas podem deleitar-se com a maravilhosa vista e de uma atmosfera quase irreal. Desde o Século I d.C. esse lugar encanta os viajantes. No alto, o Grand Hotel Villa Serbelloni, ali localizado, no estilo “belle époque”, sempre foi cobiçado por pessoas da realeza e pelos “bem-nascidos”. De linhas neoclássicas foi inaugurado em 1973.
BELLAGIO é uma das cidades mais belas da Europa. Hoje, sempre está repleta de turistas que a buscam. O tempo passou, mas o ar revigorante dos seus jardins e o perfume das flores sugerem um autêntico cenário italiano, que se confundo com as belezas de paisagens suíças. Imperadores Romanos sempre ficaram deslumbrados com a região e numa colina em frente ao lago, ficava a “villa”, a casa de Plínio, o Jovem. O lugar transmite na sua exuberância um passado de luxo. São 20ha de um terraço ajardinado que inspirou compositores como Verdi, Rossini e Bellini.
O encanto do Lago de Como
Localizado junto à cidade de Como, encantadora com suas ruelas, restaurantes e cafés nas calçadas. Notada é a preferência por massas nos restaurantes. Cardápios com dezenas de opções dessa iguaria, a “pasta”, e muitas ofertas de pratos com peixes do lago. A cidade foi, no passado, uma grande produtora de tecidos de seda para a Europa. Hoje, algumas lojas são referência para compra desse produto. O Lago de Como é um dos maiores da Europa. De origem glacial está rodeado de montanhas- os Alpes Italianos. É um dos lagos mais profundos, quase na divisa com a Suíça. Fica a uns 50 quilômetros de Milão.
Sua beleza natural atraiu Goethe, Byron e muitos outros. O poeta Wordsworth classificou o Lago como “um tesouro que a Terra guarda para si mesma”. O piano sempre foi o meu instrumento musical preferido. Nos meus tempos de estudo, aprendi a tocar “Le Lake Di Como” de Madame Giselle Galos. Linda e suave música com uma parte de “trinados”, belíssima! Desde essa época a minha vontade era conhecer esse Lago. E, um dia, o conheci. Fiz, por ele, um passeio de barco por muitos quilômetros. A paisagem é encantadora. Suas margens se caracterizam por uma vegetação luxuriante – ciprestes, camélias, laranjeiras. Idílicas vilas e jardins deslumbram. Suas águas azuis refletiam o céu, da mesma cor, com nuvens de flocos de algodão. Minha memória ia lembrando a música, que teimava em não sair dos meus ouvidos. Lago e música! Uma combinação perfeita!
Esse Lago após as tempestades de verão e dos períodos de degelo, inunda as estradas com suas águas. É um dos seus caprichos.
A Itália das Massas
Os italianos são os maiores amantes de massas do mundo, um prato de massa por dia. Gostam de fazê-la em casa com uma máquina ou enroladas à mão pela “mamma”. Patrimônio nacional, quase sagrado, a massa italiana é produzida sob estrita supervisão do Estado, que controla a qualidade do cereal com o qual elas são fabricadas, “a sêmola di grano duro”.
Quando uma pessoa amiga passa por dificuldades, os italianos sempre têm um prato de massa para ela em suas casas. O sucesso permanente desse alimento remonta à Itália medieval. Pois, na Itália, não se fala de molho simples. Tudo está ligado à história e à geografia do país.
Uma forma para cada região
A Itália só se tornou República há pouco mais de um século. Ela era composta de uma infinidade de ducados e reinos sem contato uns com os outros, mas que rivalizavam entre si em gosto e em orgulho por suas cozinhas. Os climas eram também bem variados. De um norte frio para um sul mais ameno. Por isso, conforme a região, os acompanhamentos os molhos, diferenciavam. Os nomes também variam conforme a geografia. Aí temos: macaroni, spaghetti, fetuccini, farfalle, ravioli, cannelloni,vermicelle,lasagne. As receitas mais populares atravessaram as fronteiras. “Comem-se ravioli” no norte, “lasagne” em Bolonha, “pappardelle” na Toscana, “cannelloni” na Sicília...A agricultura italiana propõe um leque de produtos cujos sabores acompanham de mil e uma maneiras o prato de todos os dias.
Conclusão
Século após século, os camponeses do norte da Itália, que cultivavam a terra para burgueses e aristocratas citadinos deram forma a essas regiões. Para vencer as dificuldades de terras não planas, eles construíram terraços e plantaram em sutil alternância a vinha, a oliveira, o trigo, o milho e a cevada. Modelaram as colinas e os pés das montanhas em lugares “humanistas”. A paisagem revela muitas marcas da civilização do passado. As identidades souberam se expressar por meio de suas múltiplas referências como a arte e o orgulho pela terra e, assim, defenderam seu patrimônio e perpetuaram as tradições.