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Opinião

Patrimônio Cultural, Cidadania e Ética

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Por Henrique Trizoto
Foto Divulgação

O Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font, é parceiro do Setor de Patrimônio Histórico Artístico e Cultural da Secretaria Municipal de Cultura e Esporte para a realização da programação da 4º Semana Estadual do Patrimônio, em alusão ao Dia Nacional do Patrimônio Cultural, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura. A 4ª edição da Semana Estadual do Patrimônio apresenta a temática Patrimônio Cultural, Cidadania e Ética, e ocorre entre os dias 15 e 19 de agosto de 2022.

A escolha da temática nos possibilita tecer algumas reflexões sobre o cenário que a sociedade brasileira está inserida. A primeira delas é a preservação do Patrimônio Cultural, a segunda é referente ao fomento à cidadania por meio dos usos e saberes fazer destes patrimônios culturais, e por fim, um elemento que é essencial como tomar banho (Leandro Karnal gosta de comparar as coisas que deveriam ser práticas darias com o ato de tomar banho), a ética.

Primeiramente, quando falamos em Patrimônio Cultural, precisamos dividir sua concepção em dois tempos, um que vai até a primeira metade do século XX, onde ele era “sinônimo de obras monumentais, obras de arte consagradas, propriedades de grande luxo, associadas às classes dominantes, pertencentes à sociedade política ou civil”, obras suntuosas como palácios, residências ou locais proeminentes para a História Política (BARRETTO, 2000, p. 9-11). No caso da cidade de Erechim, o principal exemplo é o Prédio da Comissão de Terras. E, um segundo momento, que vigora atualmente e aponta que, devido aos processos históricos e sociais o conceito foi bricolado, “como também mudaram os conceitos de “histórico”, “artístico”, “belo”, entre outros, pelo que o patrimônio cultural passou a englobar os utensílios, hábitos, usos, costumes, crenças e a vida cotidiana de todos os segmentos que compuseram e compõem a sociedade. É fato que não constitui o conjunto de todas as coisas, mas daquilo que é passado mediante a seleção consciente ou inconsciente, pelo desejo de legá-las ao futuro” (DANTAS, 2015, p. 32).

Neste contexto, compreender a diversidade e a multiplicidade do que é considerado Patrimônio Cultural é um ato de cidadania. Possibilitar que os saberes fazeres dos artesãos(ãs), benzedeiras, doceiros(as) e demais artífices proporciona a manutenção destes processos e em alguns casos gera a subsistência de grupos associados que produzem e comercializam bens de consumo.

O Patrimônio Cultural de um País, Estado ou cidade, seja ele material ou imaterial representa o percurso histórico, social e político que determinado grupo social percorreu para chegar no presente. Negligenciar isso, é um passo para o esquecimento. Por isso, a preservação de TODOS os Patrimônios Culturais materiais e imateriais é fundamental para compreender o “porquê” de determinados acontecimentos. Ao mesmo tempo possibilita analisar as narrativas, valores, saberes fazeres que se consolidaram ao longo do tempo, para que se possam criar ferramentas de educação patrimonial, e debates pautados da democracia e nas concepções de ética para a consolidação da cidadania de fato e de direito de todos os grupos sociais, independentemente de suas peculiaridades.

Referências

BARRETTO, Margarita. Turismo e legado cultural. São Paulo: Papirus, 2000.

DANTAS, Fabiana Santos O Patrimônio Cultural protegido pelo Estado brasileiro, in CAMPOS, Juliano Bitencourt; PREVE, Daniel Ribeiro; SOUZA, Ismael Francisco de. Patrimônio cultural, direito e meio ambiente: um debate sobre a globalização, cidadania e sustentabilidade. Curitiba: Multideia, 2015.

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