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Opinião

Imigração, desenvolvimento e políticas públicas (IV)

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Henrique Trizoto
Por Henrique Trizoto
Foto Divulgação

Na quarta parte das reflexões acerca da constituição do município de Erechim a partir da análise da conjuntura que acarretou políticas públicas de âmbito federal e estadual que somadas, possibilitaram a criação da Colônia Erechim, sua emancipação e a política imigratória multiétnica para ocupação das terras, percorreremos o período que compreendeu a criação da Colônia (1908) até o decreto de emancipação do Município (1918).

Os autores considerados clássicos da historiografia local apresentam ponderações sobre o período, Cassol (1979, p. 128) aponta que, “O tamanho dos lotes oferecidos aos imigrantes pelo Governo tinham a dimensão de 25 ha. Os imigrantes recebiam esses lotes rurais dando origem a um regime de pequenas propriedades rurais e a uma agricultura de subsistência”. Mais adiante, retrata que em 1915 “[...] ascendia a 27.259 habitantes dos quais 7.114 eram brasileiros, 5.721 poloneses, 246 suecos, 3.652 alemães, 1.827 italianos, 722 austríacos, 106 espanhóis, 74 franceses, 734 portugueses e 7.863 de diversas nacionalidades” (CASSOL, 1979, p. 128).

Ducatti Netto (1981) por sua vez, aponta que “há um verdadeiro êxodo das colônias velhas já muito subdivididas. Eram principalmente descendentes de italianos e alemães que procuravam as novas terras. E do estrangeiro eram principalmente os poloneses e russos que estavam chegando” (DUCATTI NETO, 1981, p. 78). O sucesso da política implementada pelo governo do Estado fica perceptível ao observarmos o número de estrangeiros encontrados na Colônia Erechim, conforme Relatório da Comissão de Terras e Colonização de junho de 1913 que informa: “o número de habitantes da colônia era de 18.000 pessoas, das quais 10.000 eram de imigrantes provenientes diretamente do estrangeiro, enquanto que os 8.000 restantes compunham-se de ̳brasileiros” (DUCATTI NETO, 1981, p. 78).

Com a interrupção da entrada dos estrangeiros com o início da Primeira Guerra Mundial, ocorreu um “êxodo das colônias velhas, o elemento italiano foi, aos poucos, superando os de outras origens. Em 1918, ano da fundação do Município, o número de habitantes já era de 35.000. Em média, havia entrada por ano, perto de 5.000 pessoas” (DUCATTI NETO, 1981, p. 78).

Na mesma linha, Illa Font corrobora: “Ao invés de servir a imigração de colonos europeus para o rompimento e progressão ordenada do povoamento, verifica-se a colonização da quase totalidade da gleba devoluta do Estado por riograndenses de diferentes origens étnicas e procedências várias, em fluxos de migração interna que se faz paralelamente até 1913 quando, devido à guerra mundial, cessa por completo a imigração de países da Europa. Daí por diante, somente chegam à colônia imigrantes poloneses e outros que já se encontravam no País (ILLA FONT, 1983, p. 11)

Neste cenário, em 30 de abril de 1918, por meio do Decreto nº 2343, de 30 de abril, assinado por Borges de Medeiros, então presidente da Província do Rio Grande do Sul, transforma a Colônia Erechim, no Município de Boa Vista.

Referências

CASSOL, Ernesto. Histórico de Erechim. Passo Fundo: Cese/Instituto Social Padre Berthier, 1979.

DUCATTI NETO, A. O Grande Erechim e sua história. Porto Alegre, Grafosul, 1981.

ILLA FONT, Juarez Miguel. Serra do Erechim: tempos heroicos. Erechim, Gráfica Carraro Ltda, 1983.

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