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Opinião

A palavra de ordem é reconstrução do RS

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Por Engº. Florestal Roberto M. Ferron – Consultor Florestal/Ambiental

                                   “teremos um árduo trabalho de reengenharia”

 

A tragédia “anunciada” iria acontecer em algum dia! Em 1941 aconteceu algo semelhante, muitas perdas humanas e de estruturas físicas. Suscitou debates, acusações, ficou notório o despreparo de todos para enfrentar catástrofes, surgiram muitos projetos. Um deles foi o “famoso muro da Mauá”, que acabou sendo construído. Passaram-se muitos anos, e quem não vivei ou presenciou aquele momento, sempre teceu críticas de que a beleza da cidade de Porto Alegre ficava escondida atrás de um muro, e que o mesmo deveria ser demolido. Muitos embates ocorreram na Câmara de Vereadores, pelos defensores do turismo, da oposição ao governo de plantão, e assim sucessivamente.

Agora, todos perceberam a importância do “muro da Mauá”. Mas, as proporções da enchente foram maiores, a água arrebentou portões e passou sobre estes, causando o alagamento em grande parte da cidade. Outras cidades que nunca haviam sofrido tamanho alagamento, foram tomadas pelas águas. Antigamente, o estuário do Guaíba, ia até a praça da Alfandega. Hoje o que se vê próximo ao Mercado Público e em toda a orla foi aterrado.

O fato entra para a história como a “maior tragédia do RS”, situação semelhante a uma guerra com a total destruição de áreas urbanas e rurais.

Mas, com a água baixando, e não sabemos precisar quando os mananciais de águas voltarão a normalidade, ver-se-á o que nossos olhos não enxergam, pois tudo está encoberto. Ai, sim teremos uma noção da dimensão do estrago geral. Dizem, que o “pior está por vir”!

Depois desta catástrofe, o importante é tirar lições para ações imediatas e futuras, a fim de mitigar danos semelhantes no futuro.

Há um ditado que diz: “a dor ensina a gemer! ”. Aprenderemos na marra, e compreenderemos que a “natureza não é mais a mesma”, que a ação desmedida do homem, a ganância, traz reflexos prejudiciais e prejuízos incalculáveis, que “todos” estamos despreparados para tratar catástrofes, que todos perdem não importando sua posição social, riqueza ou pobreza, dentre tantas.

Lembrei que quando estava na Universidade na década de 70, cursei uma disciplina chamada “manejo de bacias hidrográficas”. O curso de Engenharia Florestal da UFSM era o único curso das Ciências Rurais que tinha tal disciplina, e lá aprendemos a grande importância de preservar nascentes, banhados, as matas ciliares, como verdadeiras caixas de água naturais, capazes de absorver a água das chuvas, e gradativamente escoá-las ao lençol freático, as sangas, riachos e rios.

O Estado possui três grandes regiões hidrográficas: Guaíba, Uruguai e Litorânea. Lá pelos idos de 1.990, o Rio Grande do Sul, iniciou a formação de Comitês, os quais compreendiam as bacias hidrográficas. Foram identificadas 25 destas bacias. A mais atingida neste momento, é a Bacia Hidrográfica dos Rios Taquari-Antas, que tem sua região de abrangência compreendida pela serra gaúcha e parte da região central, com área total de 26.430 km2, e uma população estimada em 1,4 milhões de pessoas, sendo 1,08 milhões habitantes de áreas urbanas e 302 mil em áreas rurais.

Há de se registrar, que este que vos escreve e o colega Engenheiro Florestal Jorge Silvano Silveira (in memorian), que trabalhava na Emater Regional de Erechim, tomamos a frente e lideramos a criação do Comitê dos Rios Apuaê-Inhandava (Ligeiro e Forquilha), cuja área territorial abrangia Erechim para o leste (totalizando 39 municípios, indo de Erechim, Gaurama até o extremo em São José dos Ausentes, onde estão as cabeceiras destes rios). Além de contribuir com a organização do Comitê dos Rios da Várzea-Passo Fundo, cuja área territorial abrangia parte de Barão de Cotegipe para o oeste (totalizando 30 municípios).

Depois de dois anos de incansáveis reuniões nos municípios abrangidos, com prefeituras, entidades de classe, cooperativas, instituições de ensino, e apoio do CREA/RS, EMATER Regional Erechim, FLORACOOP, CORSAN, URI Campus Erechim, Conselho dos Comitês de Bacias Hidrográficas do RS, Departamento dos Recursos Hídricos – DRH/SEMA, em 2002, foi promulgado o Decreto Estadual nº 41.490, criando o nosso Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica dos Rios Apuaê-Inhandava, com área estimada de 14.383 km2, integrante da Região Hidrográfica do Rio Uruguai. Este Comitê era composto por 40% de representantes de usuários da água (abastecimento público, drenagem urbana, esgotamento sanitário, agropecuária, indústria, geração de energia, silvicultura, lazer e turismo), 40% de representantes da população (legislativos municipais, organizações comunitários e clubes de serviço, organizações sindicais, organizações ambientalistas, associações técnico-cientistas, instituições de ensino superior e pesquisa e 20% de representantes dos governos estadual e federal.

A grande lição que se apresenta: o gaúcho é um povo aguerrido e forte. O brasileiro é um povo solidário!

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