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Opinião

O Sete de setembro e o Imperador Menino

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Neusa
Por Neusa Cidade Garcez - Historiógrafa e Pesquisadora - URI - Membro da Academia Erechinense de Letras
Foto Neusa Cidade Garcez

Como Patrona da Semana da Pátria, sinto-me muito honrada e emocionada. Saúdo a todos com muito respeito e carinho, pois aqui estamos reunidos como irmãos, filhos de mesma Pátria e do mesmo Deus, não importando qual nome demos a esse ser SUPREMO!

Saúdo em especial aos alunos e direção da Escola Municipal de Ensino Fundamental D. Pedro II. Que significativo nome possui a escola.

Lembro-me da infância, e mais na adolescência ao aproximar o mês de setembro, ficávamos felizes, aflitos com os ensaios nas ruas ao som dos tambores. Com a preocupação de ter nosso uniforme bem passadinho, nossa blusa com a gola engomadinha (às vezes tão dura que quase cortava o pescoço) nosso sapato bem lustro. O nosso belo hino muito bem ensaiado. E, por fim, no esperado 7 de setembro o desfile das escolas, sob os aplausos do povo. Além do Natal, era o dia mais aguardado do ano. Onde demonstrávamos nosso orgulho e amor por uma Pátria, nossa casa, nosso refúgio.

Homenageando hoje Pedro II, façamos o exercício de vê-lo aos 5 anos de idade, órfão da mãe, com seu pai longe lá no outro lado do oceano. Sua infância truncada pois já lhe jogaram a missão de governar o gigantesco país, cheio de mazelas e indefinições. O menino solitário foi crescendo com um único objetivo que seus tutores lhe apontavam, que era governar com sabedoria aquele colossal território. Já na adolescência se desenhava a personalidade e o caráter daquele extraordinário Monarca brasileiro, estudioso, reservado, simples, de excelente coração e de ética brilhante. D. Pedro estudava línguas estrangeiras e sabia falar vários idiomas.

Os exemplos de dignidade, honradez e cultura que a história registrou, deveriam ser seguidos e imitados por todos nós e muito especialmente pelos governantes.

O primeiro destaque a lembrar é o seu amor imenso ao Brasil, demonstrado até o momento de sua morte quando quis levar com ele, terra do seu amado Brasil.

Comemorando o Bicentenário de D. Pedro II - juntamente com sua passagem brilhante e digna pela história brasileira, recordamos o peso recebido já ao nascer 02/12/1825. Sua mãe Maria Leopoldina o batizou com o Pomposo nome de Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança.

Pareceria que o menino seria destinado a um reinado de luxo, pompa, desperdício, indiferença com a população e ao exercício de governar. Entretanto a história nos apresenta um homem sóbrio, de elevada cultura, humilde, vestindo-se de modo simples e apaixonado por sua surrada casaca que era motivo de deboche de imprensa de época. Viagens com seu salário. Tudo levava a crer que faria viagens esbanjando dinheiro em luxuosos hotéis.

O brasileiro de Pedro de Alcantara deixou exemplos de governança, de respeito aos direitos de seu povo e da classe escravizada, em sua época. Sua cultura e sabedoria era reconhecida por monarcas e governantes no mundo. Como é gratificante, e como eu me sinto feliz nesse momento de festa Nacional colocar na vitrine de nossa memória, esse imperador, esse personagem cuja trajetória honrosa nos emociona e enche de admiração aos pósteros.

Precisamos urgentemente conhecer e seguir exemplos de grandes figuras Pátrias, que deixaram uma trilha benéfica, que na maioria estão esquecidas, na urgência dos tempos atuais, em que privilegia-se o imediato, invertemos valores, descuidamos nosso idioma. É premente nosso contínuo vigiar, com amor e respeito o presente dadivoso de termos uma Patria Grande, onde nos cabe colocar no alto do panteão de nosso ser, nossos símbolos Nacionais. Não somente na Semana da Pátria, mas diuturnamente.

Tenhamos a coragem de demonstrar nosso amor, nosso cuidado com nossa terra, com nossa herança moral, cultural e nossa religiosidade. Sejamos semeadores de paz e cultuadores de uma educação de qualidade. Não permitamos que os valores definidos por tantos de nossos heróis nacionais, mesmo os mais simples e desconhecidos pelos escritores sejam destruídos, vilipendiados por ideias sinistras, avessas ao bem. Priorizemos o conhecimento, deixemos o utilitarismo barato, sejamos uma sociedade que valoriza o bom pensar.

Sejamos uma sociedade que valoriza o pensar crítico, o bem comum, a civilidade e o sincero afeto por nossos SÍMBOLOS NACIONAIS!!

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