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Opinião

De que maneira?

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Igor
Por Ígor Dalla Rosa Müller

Há muito saber, equilíbrio, experiência, vida real vivida e conhecimento depreendido da realidade nos ditados populares. Um deles, o mais emblemático, para mim, e presente em diferentes gerações é aquele que diz: política, futebol e religião não se discutem. Acrescento a este tripé, ainda, o gosto, então, o resultado seria: política, futebol, religião e gosto não se discutem.

Por mais que esta expressão faça sentido, para muitas pessoas, e é preciso respeitar isso, no entanto, tenho um entendimento diferente sobre este assunto, em que política, futebol, religião e gosto precisam ser questionados, sim, e não há nenhuma dúvida aí.

A política define os rumos da sociedade, como será o modelo econômico, jurídico e cultural, se a estrutura social será equilibrada ou desigual. Os números do Brasil mostram que este país é muito rico, produz muito, ou seja, o brasileiro trabalha, tem abundância de recursos naturais, mas é extremamente desigual, segundo a matemática, pesquisas, índices, não se trata da minha percepção subjetiva, interna, não tem nada a ver com a minha visão ideológica da realidade.

A política tem a condição de transformar a realidade, ampliar o bem-estar do indivíduo, mas isso depende muito de como ela entende o mundo. Por exemplo, a política pode criminalizar a pobreza, o que é normal no Brasil, aí as medidas são sempre desumanas, cruéis e improdutivas.

A política pode terceirizar o problema, lavar as mãos e se eximir das suas responsabilidades, definindo que a pobreza existe porque a pessoa não é capaz de trabalhar, não gosta da labuta, de acordar cedo, enfim, que o indivíduo não tem desejo de progredir e, por isso, vive na pobreza. Estas duas visões, bem comuns no Brasil, denotam que a pobreza é necessária para manter determinada estrutura social desigual.    

A política pode, também, olhar para a pobreza de outra forma, de uma maneira mais humana, simplesmente, definindo que a pobreza existe no país porque as pessoas, nesta situação, não têm os meios materiais, culturais, recursos, para sair desta condição e progredir. Se a expressão, dinheiro faz dinheiro é válida, pobreza gera pobreza, também é legítima. Assim, ao entender como a falta de meios, a política interviria, com muitos investimentos públicos, mobilizando também o setor privado, para criar os mecanismos efetivos para combatê-la. 

E seguindo o raciocínio, a religião envolve o que é sagrado, espiritual, o sentido último de vida das pessoas, ter fé é salutar, faz bem para o corpo e a mente. O problema está quando se usa a fé, a crença, para conduzir politicamente as pessoas, fazendo da fé um instrumento de manipulação e deturpação da realidade, criando a multidão alienada, que aceita tudo, passivamente, sem questionar nada. 

Futebol é arte, lazer, alegria, significa convívio em grupo, mas se descambar para o extremismo, aí perde a razão de ser, vira fanatismo, e deixa de aglutinar as pessoas para repelir as amizades. Por fim, o gosto é a expressão mais particular da gente, sobre como sentimos as coisas, do paladar ao apreço por música, e também está sujeito à revisão, crítica, porque está ligado às nossas experiências que podem ser muito restritas.

É válido questionar, refletir, debater, dialogar, sobre estes assuntos, para indivíduo e sociedade, a questão central é como esta conversa se dará, com ideias, questionamentos, contrapontos, ou com ofensas pessoais, fanatismo, ódio e intolerância.

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