Dando continuidade à matéria anterior sobre a maior praga que assola o Brasil.
Hábitos: o javali é um animal de hábitos noturnos e, geralmente, vive em grupos.
Estrutura social: os grupos de javalis são, geralmente, compostos por fêmeas e seus filhotes, enquanto os machos adultos tendem a viver sozinhos ou em grupos menores até a época de acasalamento. São conhecidos por sua forte ligação social e comunicação, utilizando uma variedade de vocalizações, linguagem corporal e marcação de cheiro para se comunicar. A vida em grupo lhes oferece vantagens, como: a) Proteção contra predadores e outros perigos; b) Cooperação para encontrar alimentos e recursos; c) As fêmeas do grupo podem ajudar a cuidar dos filhotes, aumentando suas chances de sobrevivência.
O tamanho dos grupos pode variar conforme a disponibilidade de recursos e do habitat. Geralmente, são compostos por fêmeas e suas crias, podendo ter entre 3 a 5 indivíduos, mas é possível encontrar grupos com mais de 20 animais.
Estrutura do Bando
Fêmeas e Crias: grupos matriarcais formados por fêmeas e suas crias. A liderança do grupo, normalmente, é exercida pela fêmea mais velha e maior, que assume um papel de sentinela, protegendo o grupo de possíveis ameaças.
Machos: geralmente solitários, mas podem ser vistos com outros machos jovens durante certos períodos. São animais polígamos e competitivos, com machos lutando para se acasalar com as fêmeas.
Além do que já foi citado, outro grande problema (ou vantagem) do bicho é sua procriação: se prolifera rapidamente como “rato”.
Ciclo reprodutivo
O ciclo reprodutivo dos javalis é influenciado pelo clima e pela disponibilidade de recursos, podendo ocorrer em qualquer época do ano.
a) Período de gestação: 108 a 120 dias, aproximadamente 3 a 4 meses. Portanto, podem ocorrer três a quatro ninhadas por ano, aumentando a prole 3 a 4 vezes anualmente, sendo que, em um ano, as novas fêmeas já começam a procriar;
b) Ninhada: uma fêmea pode ter de 2 a 3 filhotes por ninhada, mas, em alguns casos, pode chegar a 4 a 8 filhotes;
c) Maturidade sexual: machos atingem a maturidade sexual por volta dos 5 a 7 meses, enquanto as fêmeas a atingem aos 10 meses;
d) Desmama: os filhotes são desmamados entre a 8ª e 12ª semana após o nascimento;
e) Ciclo de vida: podem viver até 10 anos na natureza, mas a expectativa de vida média é de cerca de 4 a 5 anos.
Como o javali chegou ao Brasil e ao RS
Na América do Sul, o javali europeu foi introduzido pela Argentina e Uruguai por volta do século XX, para fins de criação. No Brasil, a criação de javalis e híbridos aumentou em meados dos anos 90. Porém, no Paraná, foram levados para Quatro Barras e, posteriormente, no início da década de 1960, foram levados para uma fazenda em Palmeira, de onde fugiram ou foram soltos, formando grande parte das populações que hoje se distribuem nos diversos estados. Já no RS, pelos idos de 1989, atravessaram a fronteira e ingressaram no estado, disseminando-se do sul para o oeste, centro e norte. No final da década de 1990, o IBAMA manifestou-se contra a importação e criação do javali. Mas os exemplares selvagens já estavam soltos na natureza, formando uma população crescente aqui e em Santa Catarina.
Crescimento desenfreado
Os fatores que contribuem para o aumento exacerbado da população são a falta de predadores naturais no Brasil, além da facilidade de procriação com o porco doméstico, originando o chamado “javaporco”, o que torna os animais cruzados mais prolíferos. Com a população em crescimento contínuo e descontrolado, sem predadores, o javali causa danos ambientais e prejuízos à agricultura, riscos para a produção comercial de diversos animais e para a saúde pública (transmissão de zoonoses).
Nestes últimos 20 anos, pouco se ouve falar, por parte das autoridades, órgãos de fiscalização e ONGs ambientais, sobre sua proliferação desenfreada, a problemática ambiental instalada e as medidas de controle — mesmo com o alerta de profissionais da área, como biólogos, agrônomos e engenheiros florestais.
O único predador brasileiro dessa praga é a nossa onça-pintada ou onça-parda, que não se encontra em todo lugar. Mas, para matá-lo, só se for um filhote ou um javali desgarrado.
Fica a pergunta: e agora, “José”? O que fazer?