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Opinião

As dores do crescimento

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Marcelo V Chinazzo
Por Marcelo V. Chinazzo – Pai do Miguel e do Gael, jornalista e escritor
Foto Marcelo V. Chinazzo

E não, não estou falando da saudade de quando lembramos deles bebês, nem do susto ao vê-los na adolescência, muito menos das dores que chegam em forma de boletos quando crescemos. Quem dera fosse só isso. Falo da dor que eles sentem na pele, por isso sentimos em dobro. Aquela dor que chega sem aviso e nos acorda nas madrugadas.

Aqui em casa essa fase chegou. Eu achava, ingenuamente, que a dor do crescimento fosse só minha. Sabe aquela velha história de ter o coração apertado ao ver o tempo passar rápido demais? Pois é, mas não é bem assim. A dor do crescimento ele também sente, de várias formas e demostra das mais variadas formas, bem como as alegrias. Falo, especificamente, da dor nas pernas, que vem acompanhada de um desespero imenso. E tudo o que o dói em um filho, dói em um pai e em uma mãe. Definitivamente, não é para os fracos.

A gente entende que faz parte do pacote, que crescer é bonito e dolorido ao mesmo tempo, aliás, viver é assim. Mas nada prepara um pai ou uma mãe para lidar com o desespero de um filho que sente muita dor e que, muitas vezes, nem sabe explicar o que está acontecendo, apenas sente.

Durante o dia, ele corre, anda de bicicleta, transforma o sofá em pula-pula, tem uma energia que parece nunca ter fim. Nada de anormal para uma criança saudável, cheia de vida, que acorda querendo explorar o mundo e descobrir as respostas de todos os “porquês” que surgem ao longo dos dias, porém a “conta” de tanta disposição chega, então, quando o corpo relaxa e o sono chega, algumas noites aquela dor insuportável aparece e aí é desesperador.

Em certos momentos, o incômodo é tão grande que ele não deixa ninguém encostar nas perninhas. Nessas horas, o melhor remédio é o colo, o cafuné e a tentativa de tranquilizá-lo, lembrando que ele está em casa, seguro, com os pais.

Em alguns dias é preciso até medicá-lo, então aos poucos vai relaxando até acalmar e seguir dormindo tranquilamente. Aprendemos, na tentativa e erro, a nos antecipar, então antes de dormir, a mamãe faz uma massagem relaxante com óleo nas perninhas e tem ajudado.

Às vezes, tenho a impressão de que, por aqui, a dor do crescimento vem acompanhada de episódios de terror noturno, algo que ele já apresentava. Isso acaba confundindo um pouco, porque o desespero surge sem o despertar completo, com a diferença de que agora há o grito de dor. Depois de acalmar, o sono segue tranquilo e, no dia seguinte, tudo recomeça como se nada tivesse acontecido.

As dores do crescimento assustam, mas passam. Acho até que nos assustam mais do que a eles e o que fica é a certeza de que o que realmente faz diferença para a criança é o acolhimento. É a forma como o adulto lida com a situação, demonstrando calma, mesmo quando, por dentro, está tão apreensivo quanto ela. Nada melhor do que um colo e muito amor para amenizar as dores do crescimento, de ambos.

Claro que, se algo fugir da normalidade e a intuição de pai ou mãe apertar, vale procurar o pediatra de sua confiança. Mas, na maioria das vezes, podemos ficar tranquilos, pois tudo isso faz parte de crescer e se desenvolver. E que, nunca faltem colos, abraços e amor enquanto eles crescem por dentro e por fora e, até mesmo, depois de adultos.

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