O Rio Grande do Sul registrou o maior avanço no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) desde que a série histórica começou a ser medida — em 2005 para os anos finais do Ensino Fundamental e em 2017 para o Ensino Médio. O resultado, divulgado na semana passada, repercute no Alto Uruguai Gaúcho e em parte da região Nordeste do Estado, isso porque a 15ª Coordenadoria Regional de Educação (15ª CRE), que abrange 41 municípios, deve se destacar entre as cinco coordenadorias do estado com as melhores médias nos três indicadores avaliados.
As informações foram detalhadas pela coordenadora regional de Educação, Juliane Bonez, à frente da 15ª CRE, em entrevista à TV Bom Dia.
Estado sobe da 13ª para a 5ª posição no ranking nacional
Segundo Bonez, o avanço reflete um trabalho organizado em rede pela Secretaria Estadual de Educação, com matriz curricular definida e calendário único para todas as escolas estaduais. "A rede pública estadual, que hoje atua em rede e tem uma matriz curricular definida, com calendário único para todas as escolas do Estado, demonstra um avanço significativo que representa, não apenas indicadores, mas o resultado de um trabalho profícuo, árduo e comprometido", afirmou.
A coordenadora atribuiu o resultado a um conjunto de fatores. Entre eles, a gestão por indicadores, com reuniões mensais entre escolas, coordenadorias e o órgão central, além do acompanhamento direto do órgão estadual junto às instituições de ensino. "Nós trabalhamos por indicadores, então é um aspecto muito importante porque não trabalhamos no achismo", destacou. Segundo ela, o ciclo de trabalho segue etapas de planejamento, execução em sala de aula, monitoramento e nova avaliação, tudo isso "por evidências, baseado na ciência".
Juliane citou ainda a formação continuada dos profissionais da educação e o que classificou como "ética de corresponsabilidade", envolvendo professores, equipe gestora, merendeiras, funcionários da higienização, as equipes da coordenadoria e do órgão central. "Nesta ética de corresponsabilidade, a gente criou um ecossistema que traz esse resultado", disse.
Com o avanço, o Rio Grande do Sul saltou da 13ª para a 5ª posição no ranking nacional. A coordenadora ressaltou ainda o índice de participação nas avaliações, que superou 95% no estado, mesmo em um contexto de avaliação pós-pandemia e pós-enchentes. "É o que comprova que a educação gaúcha está no caminho certo, que há comprometimento nas ações, que há o entendimento e que é um processo", explicou.
15ª CRE entre as melhores do estado
Na região atendida pela 15ª CRE, a média dos 41 municípios superou tanto a meta estadual quanto a média nacional nos três indicadores do IDEB. "Nós atingimos essa meta, ficamos acima da previsão da proposição da meta estadual e acima da média nacional", disse Bonez.
Entre as escolas estaduais atendidas prela coordenadoria, os melhores resultados foram registrados na Escola Rondônia, de Centenário (Ensino Médio); no Colégio Mantovani, de Erechim (anos finais do Ensino Fundamental); e na Escola Castro Alves, de Machadinho (anos iniciais do Ensino Fundamental).
A coordenadora fez questão de destacar que o avanço não decorre de aprovação automática de estudantes. "Comprova-se que nós reduzimos a reprovação, mas nós estamos aprovando com qualidade de aprendizagem", afirmou, citando políticas públicas específicas adotadas pela rede estadual, como a Política de Proteção à Trajetória do Estudante — voltada à frequência escolar —, a Educação Antirracista e os Estudos de Aprendizagem Contínua (EAC).
Sobre o Ensino Médio, etapa em que há números expressivos de evasão escolar, Bonez apontou o investimento em educação técnico-profissional e na ampliação do ensino médio em tempo integral como estratégias para qualificar a formação e estimular a continuidade dos estudos. "Quando terminamos o técnico, que estamos qualificados, a nossa qualificação é muito maior, logo, o nosso salário também vai ser maior", disse, ao comentar a orientação dada a estudantes e famílias.
No recorte municipal — referente às escolas da rede estadual de Erechim —, o Colégio Mantovani obteve a primeira colocação nos três níveis avaliados: Ensino Médio, anos iniciais e anos finais do Ensino Fundamental.
A coordenadora observou que, em âmbito estadual, a rede privada avançou menos que a rede pública estadual no Ensino Médio. "Isso não significa que uma rede desmereça a outra. Mas o fator para nós é que nós, rede pública estadual, avançamos conosco mesmo, e muito", disse. Segundo Bonez, o resultado positivo em Erechim também reflete a articulação entre as redes estadual, municipal, privada e federal.
Impactos climáticos e o desafio de manter o avanço
Juliane Bonez também abordou os efeitos das intempéries que atingiram o Rio Grande do Sul, incluindo a enchente de maio de 2024, além dos eventos climáticos que comprometeram a região Norte do estado em novembro do mesmo ano e recentemente. Segundo ela, a Secretaria de Educação promoveu ajustes na matriz curricular de referência, ampliou o acompanhamento pedagógico e mantém obras de infraestrutura em escolas atingidas.
Entre as medidas adotadas está o programa Escola Resiliente, voltado a competências socioemocionais, além da criação de um núcleo de bem-estar para dar suporte às comunidades escolares. "Hoje a secretaria está amparada, organizada e com a equipe pronta para essas adversidades", afirmou.
Para a coordenadora, o principal desafio agora é dar continuidade ao plano estratégico da Secretaria de Educação, iniciado em 2021. "Nós precisamos alicerçar para que isso prossiga. [...] O processo da educação vai para além de governo. Ele precisa ser uma estrutura de estado", disse.
Ao final da entrevista, Bonez ressaltou o papel das famílias no processo educacional e convocou a participação no Conselho de Classe Participativo, que já está no calendário letivo das escolas. "Compareçam à escola, elogiem, cumprimentem. [...] É preciso ir à escola cumprimentar e agradecer, porque quem está lá sabe que está fazendo o seu melhor. Os números mostram isso", concluiu.