A psoríase é uma doença inflamatória, crônica, que acomete igualmente homens e mulheres. Conforme a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), estima-se que de 1 a 3% da população mundial apresente a doença, ou seja, mais de 125 milhões de pessoas no mundo e mais de 5 milhões apenas no Brasil.
Nesta quinta-feira (29), Dia Mundial de Conscientização sobre a Psoríase, é reforçado o alerta à sociedade sobre a importância do diagnóstico precoce, sendo que é algo que não tem cura, porém, o tratamento correto pode representar mais qualidade de vida aos pacientes.
A dermatologista de Erechim, Elisiane Marcolin Magnabosco, explica que a psoríase é uma doença de pele, cujas lesões avermelhadas e descamativas, podem acometer tanto a pele, como as unhas, couro cabeludo e, também, as articulações. “As causas ainda não são totalmente conhecidas e sabe-se que há um envolvimento genético autoimune. Ao mesmo, há fatores que podem piorar as lesões, como por exemplo: o clima frio, doenças associadas com quadros infecciosos, stress e o ato de mexer constantemente nas lesões”, comenta, citando que no Brasil, a maior prevalência de pacientes com psoríase é observada nas regiões Sul e Sudeste.
Do mesmo modo, a dermatologista, Ariane Assoni, salienta que a doença cutânea pode estar relacionada ao tabagismo, uso de algumas medicações específicas, como o Lítio, betabloqueadores, entre outros. “Diante disso, o diagnóstico precoce é muito importante, até mesmo para verificar se há lesão articular associada. A manifestação mais comum da psoríase é na forma de placas secas, avermelhadas com escamas prateadas ou esbranquiçadas”, relata.
Entre os principais sintomas da psoríase está a coceira e a sensação de “queimação”, sangramento das lesões, no entanto, há situações em que o paciente é assintomático. Relacionando a psoríase a quadros de instabilidade emocional, e levando em conta a pandemia da covid-19, Ariane comenta que, o período é muito recente e ainda não há estudos que demonstrem se houve um aumento no número de pacientes diagnosticados com psoríase.
De acordo com Elisiane, a psoríase pode, ainda, ser confundida com outros problemas, como alergias, infecções fúngicas, e, sem um diagnóstico preciso, pode levar a um resultado ineficiente. “Diante disso, podem surgir alterações nas condições próprias da pele e na qualidade de vida dos pacientes”, pontua, acrescentando que, na maior parte das vezes o diagnóstico é clínico.
Tratamentos
Quanto aos tratamentos, a especialista reforça que as opções evoluíram muito nos últimos anos e diversos medicamentos estão sendo incorporados ao Sistema Único de Saúde, o que facilita o acesso aos pacientes. “Os medicamentos têm o objetivo de fornecer mais bem-estar e minimizar os prejuízos que a doença causa. A indicação pode variar, conforme a gravidade do caso. Nos mais leves a moderados, muitas vezes é utilizada somente uma medicação tópica, como cremes, loções e shampoos. Já as situações mais graves exigem um tratamento mais forte por meio de medicações orais”, completa.
Há, também, uma opção que ainda não está disponível em Erechim que é a Fototerapia – exposição à radiação ultravioleta - controlada pelo dermatologista. Outro tipo método é por meio de injetáveis denominados imunobiológicos. “Apesar de terem um custo elevado, graças a luta da Sociedade Brasileira de Dermatologia, estão sendo incorporados ao SUS”, pondera.
Ariane reforça que o tratamento da psoríase é um dos mais estudados atualmente na Dermatologia. Ela também alerta que as pomadas de corticóide não devem ser estimuladas pois podem causar complicações sistêmicas de uso irregular por longo prazo. Sobre a artrite psoriásica, a dermatologista esclarece que são inflamações nas articulações que geralmente surgem após as lesões e também possuem tratamento.
Dra. Elisiane enfatiza que há cuidados gerais que podem ser seguidos e também contribuem, tais como: manter uma pele hidratada, reduzir banhos quentes, priorizar uma alimentação saudável e o banho de sol de forma limitada. Do mesmo modo, os pacientes que conseguem manejar o nível de stress, conseguem obter resultados muito positivos.
Alertas das especialistas!
* O paciente pode desenvolver a artrite psoriásica, que, caso não tratada adequadamente, pode levar a sequelas funcionais e deformidades. Quando ocorrer, o ideal é que haja, também, o acompanhamento de um médico reumatologista;
* Não raramente, o paciente com psoríase tem mais chances de desenvolver problemas como diabetes, doenças cardiovasculares, obesidade, depressão e doença inflamatória intestinal;
* É um indivíduo que precisa ser avaliado, compreendido e, sempre que possível, deve ser buscado o tratamento e a melhora da condição.
Superação
Segundo Dra. Elisiane, ao passo que a lesão é tratada, o paciente melhora a qualidade de vida global. Isso porque, em muitos casos, há dificuldades de relacionamento e contato com outras pessoas. “A grande luta é sempre combater o preconceito, reforçar que não é uma doença contagiosa e que essas pessoas merecem ser abraçadas”, reitera.