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Saúde

Lúpus: diagnóstico e tratamento precoce são essenciais para a qualidade de vida

Médica reumatologista de Erechim, Árien Oldoni, destaca a importância de o paciente fazer um acompanhamento que auxilia no bem-estar e pode evitar complicações em vários órgãos

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Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Hoje (10) é o Dia Internacional de Atenção à Pessoa com Lúpus, que faz parte da campanha mundial de conscientização “Maio Roxo”, cujo objetivo é incentivar o diagnóstico precoce e o controle da doença.

A médica reumatologista de Erechim, Árien Oldoni, alerta que o lúpus é uma doença relativamente rara, mas que pode causar expressiva perda de qualidade de vida e risco à saúde de quem é portador, caso não for descoberta cedo. “Por isso o diagnóstico precoce é fundamental, do mesmo modo que o início prévio do tratamento. Nesse sentido, haver uma data específica para debater o assunto, é muito importante, sendo que muitas pessoas sofrem até procurar um reumatologista e receber o diagnóstico”, explica.

Conforme a especialista, são muitos sinais e sintomas em diferentes órgãos. Desse modo, alguns pacientes passam por vários médicos até surgir a hipótese de ser o lúpus.

A doença é inflamatória, crônica, autoimune e sistêmica (pode afetar todo o corpo humano), sendo que não há uma etiologia muito conhecida e decorre de um desequilíbrio do sistema imunológico. “Assim, o que antes era responsável pela defesa e contra infecções, passa a atacar o próprio organismo saudável”, assinala a médica.

Por tratar-se de uma doença multifatorial, pode estar associada a: aspectos genéticos - com alta prevalência entre parentes de primeiro grau e gêmeos; fatores hormonais (por isso as mulheres são mais acometidas, sendo que alguns hormônios tem um efeito de imunomodulação); ambientais (exposição à luz solar pode contribuir para a ativação como para o desenvolvimento da doença, além do tabagismo e alguns tipos de infecção como a Tuberculose).

Sintomas

De acordo com Árien, os principais sintomas são: lesões de pele, uma sensibilidade exagerada ao sol - geralmente as lesões de pele causadas pelo lúpus são em áreas fotoexpostas – como braço, colo, rosto, queda de cabelo, feridas (tipo úlceras) na boca, nariz, artrite (inflamação das articulações) ou artralgia (dor articular em mais de duas articulações) com rigidez que dura mais de um dia e inflamação das membranas que recobrem o pulmão e o coração, o que pode levar a falta de ar, dor no peito, dificuldades para respirar, alterações neurológicas, tais como convulsão, psicose e algumas neuropatias periféricas e no sangue (anemia, plaquetopenia). “Geralmente o diagnóstico é feito com a junção dos sinais e sintomas mais exames laboratoriais. Por isso, aquele paciente que tem lesões de pele em áreas fotoexpostas, dores articulares que não passam e, durante a investigação descobre-se que têm pleurite ou dores articulares, são solicitados exames, entre os quais, o FAN - tem como objetivo detectar no sangue a presença de autoanticorpos, que são anticorpos produzidos pelo próprio organismo e que atacam as próprias células e tecidos”, comenta a reumatologista.

Tratamento

O lúpus é uma doença que não tem cura, mas tem momentos de atividade e outros de remissão – com poucos sintomas ou nenhum, por longos períodos, o que pode levar o paciente, inclusive, a diminuir o tratamento. “Vale ressaltar que, mesmo assim, o acompanhamento médico deve prosseguir”, salienta.

Árien pontua que o tratamento é por meio de medicamentos imunossupressores, antimaláricos ou produtos tópicos para lesões de pele. “O tratamento é individualizado, dependendo da gravidade dos sintomas e do acometimento da doença, que muda de paciente para paciente”, orienta.

Possíveis complicações a partir do lúpus

O lúpus pode levar a inflamações em diversos órgãos, como exemplo está a pneumopatia intersticial (no pulmão) ou nefrite (nos rins) que, caso não for tratada, pode evoluir para uma insuficiência renal crônica. Nesses casos o paciente pode necessitar de diálise e até mesmo, um transplante. Mais um motivo para priorizar o diagnóstico e o tratamento precoce”, enfatiza a especialista de Erechim.

 

Outros cuidados que as pessoas com lúpus devem ter:

(Informações: Sociedade Brasileira de Reumatologia)

Além do tratamento com remédios, as pessoas com LES devem ter cuidado especiais com a saúde incluindo atenção com a alimentação, repouso adequado, evitar condições que provoquem estresse e atenção rigorosa com medidas de higiene (pelo risco potencial de infecções). Idealmente deve-se evitar alimentos ricos em gorduras e o álcool (mas o uso de bebidas alcoólicas em pequena quantidade não interfere especificamente com a doença). Quem está utilizando anticoagulantes por ter apresentado trombose (muitas vezes relacionada à síndrome antifosfolipídeo associada ao LES), deve ter um cuidado especial que é a manutenção de uma dieta “monótona”, ou seja, parecida em qualidade e quantidade todos os dias, para que seja possível um controle adequado da anticoagulação. Pessoas com hipertensão ou problemas nos rins, devem diminuir a quantidade de sal na dieta e as com glicose elevada, devem restringir o consumo de açúcar e alimentos ricos em carboidratos (massas, farinhas e pães). Outra medida de ordem geral é evitar (ou suspender se estiver em uso) os anticoncepcionais com estrogênio e o cigarro (tabagismo), ambas condições claramente relacionadas à piora dos sintomas do LES. Pessoas com LES, independentemente de apresentarem ou não manchas na pele, devem adotar medidas de proteção contra a irradiação solar, evitando ao máximo expor-se à “claridade”, além de evitar a “luz do sol” diretamente na pele, pois além de provocarem lesões cutâneas, também podem causar agravamento da inflamação em órgãos internos como os rins. Outra medida muito importante é a manutenção de uma atividade física regular, preferencialmente aeróbia que ajuda não só para o controle da pressão e da glicose no sangue, mas também contribui para melhorar a qualidade dos ossos, evitando a osteoporose e melhorando o sistema imunológico.

 

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