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Saúde

Alimentação na virada do ano e férias: o equilíbrio deve imperar

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O ideal é investir em pratos saborosos a base de verduras, legumes, frutas e evitar doces
Juliana Fachinello
Por Izabel Seehaber
Foto Izabel Seehaber

Para encerrar a temporada 2021 do programa Equilibre-se, o bate-papo de saúde contou com a participação da nutricionista que atua na Unimed Erechim, Juliana Fachinello. O tema em debate foi: ‘Fim de ano e férias: como evitar deslizes na alimentação?’. A gravação aconteceu na quarta-feira e vai ao ar pelo Facebook da TV Bom Dia nesta sexta-feira (31), às 19h.

Confira a seguir as principais orientações e esclarecimentos de Juliana para aproveitar o período sem descuidar da qualidade de vida e bem-estar:

Aproveite as confraternizações sem exageros

Inicialmente é preciso lembrar que épocas de festas prolongadas, especialmente agora na pandemia, guardam uma relação muito importante com a saúde emocional, pois estar com familiares e amigos, é muito importante. “Esses encontros são exatamente para celebrar a existência do outro, a gratidão, porém, a comida, que faz parte dessa relação, não deve ser o ponto mais importante. Claro que temos as memórias afetivas que envolvem alguns pratos feitos pela mãe, avó, tias, que podem continuar a ser consumidos, mas com moderação”, relata a nutricionista, citando que é preciso refletir: “Como eu quero estar depois que as festas passarem? Com meu peso adequado ou pretendo emagrecer? Vou me conceder uma flexibilidade de ganho de peso de um ou dois quilos e está tudo bem?”. Nesse sentido, devemos assumir a nossa responsabilidade e saber que tudo é possível consumir, desde que, em pequenas quantidades.

Dicas de substituições

Uma presença confirmada nessas fases são as frutas cristalizadas. Contudo, Juliana esclarece que esse é um tipo de alimento carregado de açúcar, pobre em valor nutricional e, com isso, uma alternativa para substituir são as frutas in natura, secas, assadas, que, além de gerar saciedade, fornecem vitaminas e minerais importantes. “Outra sugestão é investir nas saladas coloridas. Precisamos criar pratos interessantes para que possamos fazer as substituições”, pontua.

Já como prato principal, no caso das carnes, a orientação é optar pelas mais magras, como peixe, frango, peru, e lembrar sempre de tirar a pele e consumir em quantidades adequadas.

Alimentação das crianças e idosos

Esses públicos geralmente não toleram muito bem as mudanças na rotina e têm horários pré-estabelecidos para as refeições. Como nesse período os jantares e ceias costumam ocorrer mais tarde, pode haver algumas dificuldades. Diante disso, é preciso ter jogo de cintura e oferecer a alimentação mais colorida possível, investir em pratos saborosos a base de verduras, legumes, frutas e evitar doces. “Claro que, principalmente as crianças, gostam muito e não é proibido consumir, desde que, com cautela. O equilíbrio deve imperar”, frisa Juliana.

A ideia da "compensação" funciona?

Conforme a nutricionista, na prática isso não funciona, apesar de o organismo se adaptar muito fácil. Segundo ela, a ideia é que seja mantida uma rotina saudável, evitados excessos e haja um retorno, assim que possível, para uma rotina adequada, incluindo os exercícios físicos.

Já durante as viagens, as pessoas podem e devem organizar a alimentação. Esse é um fator essencial, criar um cronograma e um método que ajude a evitar as tentações, como o sorvete.

Impactos da boa hidratação

A nutricionista alerta que o corpo humano é formado, em sua maioria, por água e é essencial repor esse estoque. “Ela está diretamente relacionada ao funcionamento dos órgãos, transporte de nutrientes, além de atuar na regulação da pressão arterial e da temperatura corporal”, explica.

Reflexo das bebidas alcoólicas

A recomendação, reforça Juliana, é que não seja feita a ingestão de bebida alcoólica, porém, para algumas pessoas, nesse período de festas é “inevitável” o consumo. De qualquer maneira, vale ressaltar que o álcool traz consequências à diversos órgãos do nosso corpo, a exemplo do Sistema Nervoso Central. Do mesmo modo, altera as funções de hormônios importantes, ocasiona a perda de reflexos, leva ao aumento da sonolência e à alteração de humor. Os batimentos cardíacos também são alterados, as funções hepática e renal são comprometidas, sobrecarregando o sistema que é de filtragem, e, no caso do estômago e esôfago, pode haver irritação na mucosa e surgir uma esofagite, gastrite, entre outros problemas. Por isso, o ideal é não consumir ou que seja em pequenas quantidades, intercalando com água. Outra dica é não ingerir bebida alcoólica de estômago vazio.

Alimentação responsável

Um exemplo de quem aprecia uma vida saudável é a professora da rede pública estadual, Maribel Haas de Toledo. Ao refletir sobre o assunto ela cita o médico grego, Hipócrates: "Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio".

Na opinião da erechinense, abordar o tema alimentação é abordar a vida e seus cuidados. “A compreensão do significado do alimento para o nosso organismo confunde-se com os estímulos recebidos no cotidiano para consumir de forma equivocada e impertinente. Curioso localizar na memória em que momento a consciência de observar a alimentação foi despertada. Mas tenho presente o encantamento e sabor das invasões às hortas e pomares encontrados ao longo da vida e, com destaque, na infância. O cheiro dos pães, cucas e bolachas preparados artesanalmente. Do sentar-se ao redor do fogão a lenha, da conversa familiar e de acompanhar a produção do alimento”, recorda.

Para Maribel, a inserção de frutas, cereais, legumes, hortaliças, água, farinhas e grãos integrais, o bom e nobre arroz com feijão, as plantas medicinais, o sol, as caminhadas, o humor, as leituras, as músicas e filmes tornaram-se uma rotina de vida. É importante estar atento e sensível ao que o nosso corpo necessita. As famílias precisam conhecer e assumir a responsabilidade com o alimento ofertado nas refeições. Nesse sentido, ainda, está a importância do comprar ou conhecer da sua produção. A nossa dieta precisa ser realizada em nossa casa, em nosso dia a dia e não ser algo para o próximo ano, no início da semana ou com as muitas desculpas”, reitera a educadora, citando que a decisão da alimentação saudável e responsável é primordialmente questão de conhecimento e determinação.

 

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