Nem todas as pessoas reconhecem exatamente a importância de um intestino em pleno equilíbrio. Por vezes, a rotina diária é tão agitada, que parece difícil encontrar tempo para pensar e cuidar dessa parte. Contudo, o fato é que ele é considerado uma espécie de “segundo cérebro” do ser humano.
Segundo a coloproctologista de Erechim, Bruna Biazi, nos últimos anos comenta-se sobre essa denominação porque na verdade o intestino é o segundo órgão que mais contém neurônios, em termos de número, depois do cérebro. “Além disso, eles funcionam de forma independente e tem uma função própria, que, junto com as bactérias intestinais, formam a flora intestinal e atuam na produção de uma série de substâncias e neurotransmissores. O reflexo é, muito além do funcionamento intestinal, mas o bem-estar geral”, explica a médica.
Doenças podem acometer diferentes faixas etárias
Vale mencionar que existem algumas doenças que são mais comuns em faixas etárias mais jovens, como por exemplo, as doenças inflamatórias intestinais. Contudo, as hemorróidas, o câncer de intestino e a doença diverticular, por exemplo, costumam acometer mais os adultos. “Dependendo do sexo e da idade, pode haver uma predisposição maior para determinados problemas. Desse modo, a atenção deve iniciar cedo. Desde a alimentação até algum tratamento que precise de medicamento, o quanto antes comerçarmos, melhor será a qualidade de vida do paciente”, assinala a especialista, citando que algumas doenças tem um padrão genético que exige cuidados precoces e as vezes até mesmo um tratamento cirúrgico preventivo.
Sinais de alerta
Os principais sintomas de acometimento ou de alteração do sistema gastrointestinal são: a dor abdmominal incomum - que se prolonga por alguns dias, sangramento nas fezes, perda de peso inexplicada, alteração do hábito intestinal (aqueles casos em que o intestino funcionava bem e a pessoa começou a ter constipação ou diarreia), fraqueza, perda do apetite, entre outros. “Na maioria dos casos é um problema benigno mas é preciso realizar uma avaliação médica”, pontua a médica de Erechim.
Problemas silenciosos
É preciso ficar atento, ainda, a algumas doenças que não geram sintomas, como os pólipos, que acontecem com uma frequência muito grande e quanto maior a idade do paciente, maior a probabilidade de surgimento. “O único meio de detectarmos isso precocemente é pelos exames de rastreio. Hoje sabemos que o melhor deles é a colonoscopia. O preparo não é muito agradável para a maioria dos pacientes, compreende uma dieta, uso de laxantes, contudo, os benefícios a partir do procedimento, que permite a identificação precoce de doenças, é muito expressivo. Se estiver tudo certo, pode-se repetir a cada cinco anos”, esclarece Bruna.
A indicação da colonoscopia é para todos os pacientes, homens e mulheres acima dos 45 anos.
Sofre de intestino preso?
A conhecida ‘prisão de ventre’ ou intestino preso é um desconforto enfrentado por muitas pessoas. Conforme a coloproctologista, o distúrbio é mais comum em mulheres e está associado a vários fatores, como: alimentação, uso de algum medicamento, e necessita de uma avaliação específica.
Na tentativa de buscar uma melhora do quadro, muitas pessoas recorrem aos laxantes. A médica alerta: “como não precisa de uma receita para comprar, muitos pacientes chegam ao consultório relatando que fazem uso de laxantes inadequados. Existem algumas classes e um deles refere-se aos “irritativos”, que são mais fortes, irritam a mucosa do intestino e podem registrar diarreia, perda da microbiota intestinal (população de micro-organismos que habita todo o trato gastrointestinal e tem como funções manter a integridade da mucosa e controlar a proliferação de bactérias patogênicas), cólicas, entre outros sintomas”, acrescenta.
Com o tempo, o intestino fica “acostumado” com aquele medicamento e a constipação fica cada vez mais difícil de ser tratada. Outro aspecto é que alguns tipos de laxante aumentam os riscos do desenvolvimento de pólipos intestinais. “Assim, é preciso frisar que alguns laxantes são indicados para melhorar o hábito intestinal do paciente, mas precisam ser adequados para não oferecer riscos mais expressivos”, ressalta.
Covid e saúde intestinal
A sociedade ainda vivencia uma pandemia e seus múltiplos reflexos. Como é de conhecimento, há muitos estudos em andamento sobre essa doença e os reflexos que ela pode gerar a longo prazo nos diversos sistemas, desde a área neurológica, respiratória, motora, cardíaca, inclusive intestinal. “Venho atendendo pacientes com problemas de diarreia crônica pós-covid. Isso pode ser tanto por causa do próprio Coronavírus, quanto pelos medicamentos que a pessoa usou para combatê-lo (antibióticos e outros), até algum problema de imunidade. É um tratamento relativamente complexo e essa diarreia pode até melhorar sozinha. No entanto, quando fica crônica, pode precisar de um tratamento adicional”, salienta Bruna.
Hábitos do cotidiano aliados do intestino
Quando o assunto é cuidados da saúde e foco na prevenção, nunca é demais lembrar algumas dicas que podem agregar no cotidiano e ampliar o bem-estar. A médica reforça que os principais hábitos que podem contribuir na saúde e ajudar a evitar o surgimento de algum problema mais sério no futuro, é:
* Manter uma dieta rica em fibras, com linhaça, aveia, frutas com bagaço, granola, cereais em geral e vegetais. Eles exercem um papel muito importante na prevenção da doença diverticular, câncer e outras;
* Fazer a ingesta hídrica adequada, principalmente com água, chás e sucos. Muitas pessoas costumam tomar mais líquidos no verão e esquecem no inverno;
* Evitar alimentos ultraprocessados e multiprocessados;
* Evitar álcool, farinha branca, açúcar, embutidos e o próprio excesso de churrasco que também confere um risco maior de câncer de intestino, afinal, na preparação as carnes são submetidas a altas temperaturas e liberam cancerígenos que atuam na mucosa intestinal. Sabemos que, principalmente no nosso Estado, consumimos bastante carne assada, por isso a dica é diminuir a frequência;
* Não fumar;
* Praticar atividades físicas, o que é fundamental, inclusive para a produção de neurotransmissores responsáveis pelo bem-estar, bom humor e prevenção de doenças em todos os campos.