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Saúde

Cigarro eletrônico: uma fonte de dependência à nicotina

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Pneumologista Leandro Gritti
Por Izabel Seehaber
Foto TV Bom Dia

O tabagismo é um problema mundial, de saúde pública, reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina presente nos produtos à base de tabaco.

A dependência é responsável por um número expressivo de mortes, sendo que algumas estão diretamente relacionadas, a exemplo do câncer de pulmão e da doença pulmonar obstrutiva crônica, além de problemas cerebrovasculares, cardiovasculares, entre outros. Relacionado ao cigarro convencional, está o debate sobre os dispositivos eletrônicos para fumar.

Nesta semana, o médico pneumologista de Erechim, Leandro Antônio Gritti, participou do programa Bom Dia Entrevistas e alertou sobre o aumento da adesão pelo público jovem, assim como os riscos e possíveis complicações à saúde.

Tabagismo e indicadores

Inicialmente, o especialista assinalou que no Brasil a realidade do tabagismo não é muito diferente, contudo, há alguns aspectos para se comemorar, pois, ao longo de mais de quatro décadas, foi observada uma redução no número de tabagistas no País. “Isso é resultado dos trabalhos, principalmente no campo educativo, por meio de campanhas publicitárias, conscientização da população, ações em escolas, e o aviso em todas as especialidades médicas, durante as consultas, o que induz ao questionário e ao abandono”, relatou Dr. Gritti, ponderando que os indicadores ainda são expressivos e um deles aponta que as mulheres aumentaram o consumo.

Cigarro eletrônico: uma alternativa perigosa

Na tentativa de buscar alguma medida para auxiliar no vício do cigarro, algumas pessoas recorrem ao chamado cigarro eletrônico.

De acordo com o especialista de Erechim, felizmente, a maioria das pessoas deseja parar de fumar e existe também, a dificuldade para deixar o hábito. “Uma das estratégias da indústria do tabaco foi se direcionar para o cigarro eletrônico, com a divulgação de que seria uma alternativa para o abandono do tabaco, que é, na verdade, uma possibilidade perigosa. Trata-se de uma estratégia chamada de redução de danos, partindo da ideia de que o cigarro eletrônico - não contendo todas as substâncias existentes em um cigarro convencional - causaria menos danos. Porém, a vaporização das substâncias gera outras que são tóxicas – aguda e cronicamente”, explicou o médico, ao reforçar que o cigarro eletrônico não é uma alternativa confiável para o abandono do tabagismo.

Vale mencionar que, em geral, quem consome cigarro eletrônico acaba aderindo a outros produtos derivados do tabaco ou, ainda, os dois, potencializando os danos. “Apesar de difícil, existem alternativas para o tratamento do tabagismo e o ideal é buscar orientação profissional”, frisou.

Dispositivos e adolescentes

Outra preocupação citada pelo pneumologista, é que muitas pessoas que nunca fumaram um cigarro convencional, aderem ao eletrônico, o que também representa muitos riscos. “Os dispositivos têm um apelo de modernidade. Atualmente há uma linha significativa, incluindo opções recarregáveis, descartáveis, entre outras. Isso faz com que o produto se torne atrativo para os jovens, principalmente os adolescentes e pré-adolescentes”, ressaltou, mencionando que é uma fonte de dependência à nicotina e um problema que vem crescendo em todo o mundo.

Apesar de a venda no Brasil ser proibida desde 2009 pela Anvisa, o cigarro eletrônico pode ser facilmente encontrado. “A própria Sociedade Brasileira de Pneumologia se manifesta contra a autorização da comercialização, especialmente por identificar mais prejuízos do que benefícios. No momento que for legalizado, o uso poderá se ampliar, com o apelo de “auxiliar” no abandono do tabaco convencional, o que provavelmente irá gerar uma epidemia do consumo de cigarro eletrônico”, avaliou.

Como combater essa problemática? Na opinião do especialista, a experiência com o cigarro convencional já responde a essa questão: educação, esclarecimento e aumento de impostos, como no caso do cigarro comum.

Para quem deseja parar de fumar

Por fim, Dr. Gritti orientou que, no anseio de parar de fumar deve-se levar em conta os fatores ambientais e o grau que a pessoa consegue tolerar dos sintomas de abstinência. “Com isso, o profissional começa a motivar o paciente, traça um plano conjunto com ele e observa o consumo de tabaco para avaliar o grau de dependência química, um aspecto comportamental. Desse modo é possível fazer uso de medicamentos para auxiliar no período de transição e até sugerir a terapia de reposição de nicotina, tudo para contribuir e tornar o processo um pouco mais fácil”, acrescentou.

O especialista comentou, ainda, que, com o cigarro eletrônico, menos pessoas procuraram os programas de abandono ao tabagismo. Para ele, isso é preocupante e pode levar a outras complicações, sem contar que as chances de parar de fumar são menores do que por meio de um acompanhamento individual ou em grupo.

 

 

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