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Saúde

Amor, respeito e cuidado: base da conscientização

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“Estaremos sempre do teu lado”, declara Cris à filha Gabi
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Tranquila, amorosa, adora uma aventura e, acima de tudo, uma criança feliz. Estas são apenas algumas das características da pequena Gabrielle de Vargas, de nove anos. A erebanguense é o encanto dos pais que não medem esforços para que sua vida seja repleta de vitórias. Sim, a cada dia, desafios e conquistas são compartilhados lado a lado, com uma rotina que envolve terapias, atenção e todo cuidado que uma criança com diagnóstico de autismo, merece.

Neste sábado (2), Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, vamos conhecer a história da Gabi, como é carinhosamente chamada pela família, além do trabalho da Aquarela Pró-Autista de Erechim.

Inicialmente, vale lembrar que o transtorno do espectro autista (TEA) se refere a uma série de condições caracterizadas por algum grau de comprometimento no comportamento social, na comunicação e na linguagem, e por uma gama estreita de interesses e atividades que são únicas para o indivíduo e realizadas de forma repetitiva. 

O princípio de tudo

Quem vai relatar um pouco do dia a dia e toda luta permanente pelo bem-estar e qualidade de vida da Gabi, é sua grande aliada e super mãe, a técnica de Enfermagem, Cristiane Dallanora de Vargas. “Até 1 ano e 15 dias ela era uma criança com desenvolvimento normal, desde a parte motora, de fala, até que fizemos uma viagem, momento que percebemos algumas mudanças de comportamento, como por exemplo, ela parou de falar as palavras soltas, chorava muito e ficava irritada”, comenta.

Cris prossegue dizendo que a família retornou para casa e procurou um médico. “Ele disse que estava tudo bem e que não era para se preocupar, pois poderia ser próprio da idade. Contudo, a cada três ou quatro meses, voltávamos aos pediatras (procuramos cinco profissionais), afinal, percebíamos que havia algo errado. Um deles, a meu pedido, indicou um neuropediatra - como trabalho na área da saúde, cheguei a pensar que poderia haver um problema neurológico”, acrescenta.

O especialista, então, solicitou uma série de exames em uma consulta de duas horas e meia, fez alguns testes e, após, foi possível chegar ao diagnóstico de autismo. Nesse tempo, Gabrielle já estava com dois anos e nove meses. “O neuropediatra me explicou o que era autismo, que seria para sempre, mas que, com terapias, o quadro poderia ficar mais leve. O TEA é dividido nos níveis leve, moderado e severo, sendo que o diagnóstico da Gabi é de autista moderado não verbal”, explica, ao citar que não existe medicamento para o autismo, mas sim, para auxiliar nos sintomas como: irritabilidade, ansiedade, insônia, falta de concentração, entre outros. “Por isso, o foco seria na terapia e auxílio nos sintomas que ela tivesse. Foi muito difícil, num primeiro momento pensamos: meu Deus e agora? O que vamos fazer? Mas acima de tudo, o que prevalece é um amor e superproteção que não tem explicação. Sempre digo, uma mãe por um filho, faz tudo. Uma mãe por um filho especial, faz mais. Acredito que Deus não escolhe os capacitados, Ele capacita os escolhidos”, declara ao contar que ela, o esposo e toda família foram em busca de conhecimento para saber mais sobre o autismo e como poderiam ajudar a Gabi de todas as maneiras. “Digo a ela: estaremos sempre do teu lado”, menciona.

Terapias e a busca pela independência

Com indicação médica, tiveram início as terapias e o especialista solicitou que Gabi fosse à escolinha, porque seria interessante o contato com as crianças. “Ela começou a ir na creche e na Aquarela Pró-autista. Em seguida, participou do projeto da equoterapia por três anos. Atualmente ela mantém o acompanhamento com fonoaudióloga, psicopedagoga, psicóloga, terapia ocupacional e psicomotricidade”, destacou Cris.

Ela enaltece que, uma mãe sempre deseja para o filho que ele tenha independência e seja feliz. “É isso que procuramos e lutamos para a Gabrielle, que ela seja uma pessoa adulta feliz, realizada e independente em tudo que ela fizer. É desafiador, sempre digo que vivemos um pouco do autismo todos os dias”, afirma.

As terapias são realizadas em Erechim e, a cada dia, independentemente se está chovendo ou faz frio, a família acorda cedo para os compromissos, pois precisa ser algo contínuo.  

Os atendimentos

A mãe de Gabi avalia que ainda é muito difícil encontrar pessoas especializadas em autismo. “Na nossa região, em Erechim há profissionais capacitados a atuar nessa área e é preciso ampliar. Do mesmo modo, precisamos ofertar esses serviços via Sistema Único de Saúde (SUS), pois nem todo mundo tem condições de pagar ou tem um plano de saúde que auxilia. As terapias são muito caras e para uma família poder realizá-las, precisa se privar de muitas coisas. Por isso, que as pessoas que estão na gestão de todos os municípios enxerguem ainda mais essas crianças, principalmente as escolas. A palavra inclusão é muito bonita, porém, ainda não funciona de forma integral. Precisamos de profissionais que trabalhem os mesmos temas, de uma maneira diferente, e que a criança seja integrada às atividades”, reitera Cris.

Além das terapias, que são realizadas em Erechim e em casa, à tarde Gabi frequenta a Apae como escola regular. “Lá ela conta com uma professora e também faz terapia ocupacional”, pontua.

Mensagem aos pais

“Seus filhos escolheram vocês como pai e como mãe, antes de nascer, pois eles viram que vocês tinham alguma coisa especial e que poderiam ajudá-los para o resto da vida. Tenham força, coragem, que tudo vai ficar bem, sabemos que é um processo demorado, mas o amor vence tudo”, enfatiza Cris.

Aquarela Pró-Autista

Atualmente a Associação atende 48 usuários, proporcionando oficinas de musicalização, atividades pedagógicas, de psicomotricidade, artes e atendimento psicológico. Mesmo em tempos de pandemia a instituição não parou os atendimentos, devido a extrema importância que eles representam. “Foram tempos difíceis onde tivemos que aprender a conviver com máscaras, álcool em gel e, acima de tudo, com o medo do vírus”, ressalta a equipe multidisciplinar.

Neste sábado, Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, que tem o objetivo de conscientizar e chamar a atenção da sociedade para a questão do TEA, a Associação Aquarela Pró Autista realizará um evento para celebrar esta data tão especial. Na ocasião, os autistas, familiares e profissionais estarão reunidos para uma confraternização, troca de experiências, atividades de interação e também como forma de promover ainda mais a conscientização sobre o assunto.

 

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