Hoje, 29 de abril, é comemorado o Dia Internacional da Imunologia. Para saber mais sobre o assunto e a importância da especialidade voltada a cuidar e pesquisar sobre o nosso sistema de defesa do organismo, o Bom Dia apresenta os destaques da conversa com a médica alergista e imunologista de Erechim, Daniele Brisotto, que será transmitida no programa Equilibre-se desta sexta-feira, às 19h, pela página do BD no Facebook.
Evoluções
De acordo com a especialista, é muito importante explanar sobre o sistema imune, principalmente porque nunca havia se falado tanto sobre imunidade como atualmente, em razão da covid-19. “Nessa data especial podemos fazer um alerta à população sobre as prevenções. Quando falamos de Imunologia, vale ressaltar que temos um rico sistema imune, formado por inúmeras células que estão para a nossa defesa. Nos últimos tempos, diversos avanços foram registrados na área, a exemplo do desenvolvimento de vacinas”, pontua, ao acrescentar que ainda em 1973 foi criado o Programa Nacional de Imunizações – PNI, o qual permitiu melhores definições sobre os imunizantes. “Se fizermos um passeio pela história, iremos recordar o quanto as vacinas foram importantes, destacando que, quando elas começaram a ser criadas, não havia todos os estudos e a tecnologia disponíveis atualmente. Do mesmo modo, as imunizações em larga escala permitiram o controle de diversas doenças, a exemplo da varíola”, acrescenta.
No caso da vacinação contra a covid-19, Daniele salienta que é um tema polêmico, pois, como trata-se de algo novo, pode gerar um pouco de receio na população, mas é importante considerar que houve reduções expressivas nas taxas de infecção e complicações a partir da doença. “Considero, ainda, essencial a ampliação permanente das pesquisas para combater de forma efetiva esse medo e possibilitar mais segurança a todos, avaliando os efeitos colaterais e como a sociedade se manteve ainda mais saudável após a aplicação das doses”, declara.
Doenças autoimunes
Quando o assunto é imunidade, outro ponto relacionado diz respeito às doenças autoimunes, desenvolvidas a partir de um desequilíbrio do sistema. Isso pode se manifestar em vários órgãos e gerar problemas como: tireoidites, doenças da área da Neurologia, doença celíaca, artrite reumatóide, entre outras. “No caso das doenças autoimunes, três pilares devem ser considerados: fatores genéticos; fatores ambientais (proximidade com agrotóxicos, metais pesados e outras substâncias) e alimentação (a maior parte das células do sistema imune está localizada no intestino. Desse modo, se não controlarmos o que comemos, potencializamos o surgimento destas doenças)”, explica Daniele.
A médica salienta ainda, que o Coronavírus também pode interferir no sistema imune, sendo que muitos pacientes que enfrentaram a covid, foram diagnosticados com doenças que antes não tinham.
Envelhecimento e o sistema imune
A imunossenescência é considerado o envelhecimento imunológico. Assim como a pele, os cabelos e as células envelhecem, o sistema imune também se altera. “Com o passar da idade, o timo – onde se desenvolvem os linfócitos de defesa – diminui. Com isso ocorre uma inversão, sendo que, ao passo que, com o avançar da idade, o ser humano tem mais células de memória, pois se expôs a diversos vírus e bactérias, ele acaba tendo menos linfócitos. Por isso, o idoso necessita de um cuidado maior, considerando os riscos ampliados para alguns problemas como as infecções”, menciona.
Imunoterapia
O tratamento da Imunoterapia representa um universo de possibilidades, sendo que é usada em áreas como a Oncologia e também para o reforço imunológico. “Uma pessoa que apresenta problemas de repetição como: amidalite, infecção urinária, candidíase, entre outros, podemos buscar a modulação do sistema imunológico. Muitos pacientes já se beneficiam desse tratamento aliado, sempre, à melhora do estilo de vida”, ressalta a especialista.
Nesse campo também é possível citar o tratamento das doenças alérgicas, como rinite, asma e dermatite, comprovadas por exames, onde também é possível aderir à imunoterapia.
Prevenção pode começar cedo
A imunologista enaltece que a ideia é promover a qualidade de vida e que as pessoas possam prevenir diferentes problemas. Isso pode começar com a adoção de um estilo de vida mais saudável aliado aos exercícios físicos, uma alimentação equilibrada, à qualidade de sono, bem-estar emocional, mantendo as consultas de rotina e exames. Tudo isso integra o “pacote” que irá contribuir para um envelhecimento ainda mais saudável.