A cada mês, uma cor é referenciada para alertar a sociedade sobre a prevenção de doenças, além de incentivar boas práticas que podem contribuir na qualidade de vida e bem-estar da população. No caso do ‘Junho Laranja’, o alerta é voltado ao combate à anemia e à leucemia, e também relaciona fatores importantes, como o incentivo à doação de sangue e de medula óssea.
Para entender mais sobre o assunto, o Equilibre-se desta semana traz um bate-papo com a médica hematologista de Erechim, Carolina Fusinato Molin. O programa vai ao ar às 20h desta sexta-feira, pelo Facebook do Jornal e TV Bom Dia. Enquanto isso, confira os destaques da conversa com a especialista!
Importância das campanhas
A hematologista ressalta que as campanhas e movimentos relacionados à saúde desempenham um papel fundamental no sentido de chamar a atenção da sociedade para a prevenção e o autocuidado. “Ao definir cada mês com uma cor específica, há um chamamento à conscientização sobre o que pode estar acontecendo com o nosso corpo. As respectivas cores alertam para questões importantes, doenças e como é possível evitá-las”, relata.
No caso da anemia, explica a especialista, trata-se de um sintoma que pode ser consequência de outras doenças no nosso organismo. “A redução da hemoglobina e, por consequência, das hemácias no sangue, leva a uma diminuição de oxigênio nos tecidos, o que pode acarretar em palidez, cansaço, desânimo, falta de apetite, tonturas, entre outros sintomas”, pontua Carolina ao mencionar que eles se apresentam em muitas intensidades e, geralmente as anemias leves podem passar desapercebidas, com apenas uma alteração no exame de sangue, ou ainda, serem mais intensas, em que é indicada a hospitalização. “Se a anemia ocorre em idosos, como é um paciente que geralmente possui outras comorbidades, os sintomas podem ser mais significativos. Já nos jovens, os níveis de anemia são mais tolerados”, cita.
Tipos de anemia
Conforme a médica, a anemia pode envolver fatores hereditários ou ser do tipo carencial – por deficiência de ferro, entre outros nutrientes. “Nos pacientes bebês, um dos critérios do Teste do Pezinho é para avaliar se há algum tipo de anemia hereditária, como a falciforme ou as talassemias, em que há chances de serem identificadas já no primeiro mês de vida. Como a criança ainda não consegue expressar os sintomas, os pais podem ficar atentos às reduções das mamadas, o não ganho de peso, entre outros sinais de alerta”, destaca.
Na fase adulta, como trata-se de um sintoma de outras doenças, um aspecto é, por vezes, aquela caminhada que antes era de duas quadras e agora se tornou de uma quadra ou menos. Esse cansaço excessivo pode ser um sinal de outro problema que necessita de investigação. “Ao longo da nossa vida passamos por etapas, como o envelhecimento, gestação, lactação, que são fatores que podem levar ao surgimento ou não de anemia, pois o crescimento em si, demanda de muito mais nutrientes”, relata a hematologista.
Mulher – mais suscetível a ter anemia
Ao longo da vida quando o ferro é perdido, pode haver sintomas de anemia. A perda ocorre por sangramento e a mulher, em razão da menstruação, pode apresentar mais chances de desenvolver o problema, principalmente quando apresenta um fluxo mais intenso ou a paciente não mantém uma alimentação equilibrada. Nesse caso, ela pode ter mais cansaço, perda de cabelo, unhas mais fracas, e, também, uma dificuldade na hora de fazer uma doação de sangue.
Caso não for feito um diagnóstico precoce dessa deficiência de ferro, por exemplo, a tendência é que os sintomas se agravem e pode haver a necessidade de transfusão de sangue. Desse modo, vale reforçar que é essencial descobrir as causas da anemia e buscar medidas de tratamento. No caso do público feminino, as vezes é necessário reduzir o sangramento mensal e melhorar o aporte nutricional.
Quando há uma anemia carencial, seja por ferro, vitamina B12, ácido fólico, o importante é verificar o que há de errado: se o paciente não está se alimentando direito, se há restrições ou uma intolerância; entre outras situações. Após identificada a causa, pode ser feita a indicação de medicamentos orais para fazer a suplementação, ou ainda, a identificação de outros problemas como doenças autoimunes, insuficiência renal, diabetes, que devem ser tratados, melhorando os quadros de anemia.
Carolina ressalta que os alimentos são aliados na prevenção da anemia. Para garantir bons níveis de ácido fólico, ferro e vitamina B12, é essencial fazer a ingestão de alimentos verdes, principalmente nos tons escuros, como as saladas (sejam cozidas ou cruas) e proteínas de origem animal. “É possível aderir a suplementos vitamínicos mas prefiro indicar o que é mais natural. Por isso, a tradicional visita à feira se torna uma medida imprescindível. O que colocamos no nosso prato é incomparável”, enfatiza a médica, ao pontuar que os cítricos, como laranja e limão, contribuem na absorção do ferro o que reflete em mais disposição ao longo do dia e numa melhor noite de sono.