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Saúde

Retinopatia diabética: controle da glicemia na base do cuidado

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Antônio Vaccaro Filho e Marcello de Quadros Ribeiro
Por Izabel Seehaber
Foto Izabel Seehaber

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) informa que a diabetes é uma doença complexa e progressiva que pode afetar os vasos sanguíneos do olho. Um material anormal é depositado nas paredes dos vasos sanguíneos da retina que é a região conhecida como "fundo de olho", causando estreitamento e às vezes bloqueio do vaso sanguíneo, além de enfraquecimento da sua parede – o que ocasiona deformidades conhecidas como microaneurismas. Estes, por sua vez, estão suscetíveis a rompimentos ou extravasamento de sangue, causando hemorragia e infiltração.

Os médicos oftalmologistas do Instituto de Olhos Santa Luzia de Erechim, Antônio Vaccaro Filho e Marcello de Quadros Ribeiro, alertam que retinopatia pode levar a uma perda parcial ou total da visão, por isso, é de extrema importância que seja feito o acompanhamento adequado para evitar complicações à saúde ocular. “A diabetes afeta milhares de pacientes no mundo inteiro e um número expressivo de pessoas em Erechim e região. Nesse sentido, é preciso salientar que o controle da doença é fundamental, pois, com o passar dos anos, maior é a chance de surgirem problemas oculares”, comenta Antônio, ao mencionar que a diabetes pode causar, principalmente, dois problemas à região ocular: alterações agudas ou crônicas. “No primeiro caso, se a diabete está muito descompensada, com alterações repentinas, o grau da visão também muda momentaneamente. Por isso, o controle dos índices glicêmicos é fundamental para evitar oscilações. Já no caso crônico, com o passar do tempo desde o diagnóstico até o tratamento da diabetes, geralmente após 10 anos, a doença começa afetar a retina. Isso pode se manifestar desde a forma mais leve até evoluir para casos proliferativos, com várias alterações no fundo do olho”, explica o especialista.

Os pacientes com a diabete controlada têm tudo para levar uma vida praticamente normal e conseguir, com os tratamentos, ter uma boa qualidade de visão. Porém, vale ressaltar que o descontrole da glicemia pode impactar outras áreas além da visão, pois afeta a microcirculação. “Em casos mais graves pode haver alterações renais, nos nervos dos pés, entre outros problemas”, acrescenta o médico.

Sintomas

Quanto aos ‘sinais de alerta’, o oftalmologista assinala que eles podem passar praticamente desapercebidos na fase inicial e o paciente irá notar a perda de visão conforme o quadro evoluir. No entanto, ele pode não ter sintomas e apresentar um quadro grave de retinopatia, pois, se não afeta a área central da visão, irá enxergar perfeitamente. O risco é que, se ocorrer um sangramento, a visão será afetada.

Diabético: consulte o oftalmologista

Ao citar que a diabetes atinge em torno de 7% da população brasileira, Marcello de Quadros Ribeiro orienta que, após o paciente receber o diagnóstico de diabetes tipo I, é interessante fazer uma avaliação oftalmológica orientada no período de cinco anos. Já no caso dos pacientes com diabetes tipo II, o ideal é procurar um especialista logo após confirmar a doença. “Isso acontece porque o paciente pode estar com a diabete há bastante tempo e não saber. Por isso, uma avaliação de fundo de olho, no momento do diagnóstico, é muito importante”, observa.

De acordo com o especialista, no período da pandemia, muitas pessoas tiveram receio de fazer seus exames e consultas de rotina, nas diferentes áreas. “Essa demora, contudo, pode complicar os quadros, inclusive da retinopatia diabética. Alguns pacientes não conseguiram manter adequadamente o tratamento da glicemia e nem o oftalmológico. Com a intensificação dos protocolos e, essencialmente da vacina, surgiu uma demanda reprimida e nosso tratamento precisou ser intensificado para tentar recuperar a visão”, salientou.

Marcelo pontua que o paciente geralmente chega ao consultório encaminhado por um endocrinologista, cardiologista ou clínico geral. “Após a dilatação da pupila, é feito um mapeamento de retina e, posteriormente são indicados outros exames que são oferecidos no Instituto de Olhos Santa Luzia, tais como a angiografia e o OCT, a tomografia de coerência óptica, a qual contribui para detectar problemas oculares de maneira precoce e eficiente”, cita.

Esses procedimentos guiam a conduta médica, seja no acompanhamento ou indicação do tratamento ao paciente, como o laser ou a injeção. “O que não pode ser esquecido é que a base essencial é o controle dos índices glicêmicos e o acompanhamento oftalmológico para evitar casos graves”, afirma.

No caso do paciente diabético em que os índices glicêmicos estão normais, a avaliação pode ser anual. Já quem apresenta a retinopatia, é importante reforçar o acompanhamento e o retorno ao especialista depende da gravidade do quadro.

Atendimento especializado

O Instituto de Olhos Santa Luzia dispõe de uma moderna estrutura física e de profissionais especializados na área. Trata-se de uma equipe multidisciplinar que está à disposição dos pacientes diabéticos para um acompanhamento efetivo, o que possibilita mais qualidade de vida e bem-estar.

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