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Saúde

Avanço do cigarro eletrônico entre adolescentes: autoridades e pais em alerta

Pediatra e hebiatra, Alberto Andre Pippi Schmidt, manifesta preocupação com o assunto e frisa: a nicotina dos dispositivos é tóxica e contém aditivo que vai levar ao vício

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Estudos demonstraram que os vapores produzidos pelos líquidos produzem o mesmo efeito prejudicial qu
Pediatra e hebiatra, Alberto Andre Pippi Schmidt
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

O tabagismo é um problema de saúde pública e necessita permanentemente de uma atenção especial. Além do cigarro tradicional, outra preocupação crescente diz respeito aos cigarros eletrônicos. Mesmo com o uso proibido no Brasil, um dos focos de maior cuidado na atualidade, refere-se aos adolescentes. O alerta é da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul que enxerga a necessidade de um olhar atento das autoridades públicas sobre o tema. O órgão assinala que a maioria dos cigarros eletrônicos têm nicotina em seus componentes e a estratégia da indústria para agradar adolescentes, são os aromas.

O médico pediatra e hebiatra de Erechim, Alberto Andre Pippi Schmidt, relembra que a história do tabaco começa ainda no início do século passado. “Foi organizado um programa junto às sociedades médicas para fazer com que a população, de maneira científica, entendesse que o cigarro e a fumaça também (com a nicotina e todas as outras substâncias) causam diversos problemas à saúde, inclusive às crianças que ficam próximas aos fumantes”, comenta ao citar que aos poucos houve avanços no sentido de leis e regras que criaram algumas restrições em ambientes fechados e até mesmo abertos.

No entanto, pontua o especialista, como as indústrias do tabaco são poderosas e o cigarro não estava mais sendo tão atrativo (felizmente foi registrada uma diminuição expressiva de fumantes nas últimas décadas, o que foi importante para a saúde pública), a adição da nicotina foi feita de outras maneiras a exemplo do cigarro eletrônico.

Em relação ao cigarro convencional, o médico lembra que é proibida a venda para menores de idade, mas eles têm acesso por outros meios que precisam ser regulamentados. “Junto com isso, é preciso haver um sistema de educação relacionado às mídias e aos colégios, às secretarias de saúde, municipais e estaduais, reforçando o que as autoridades na área apontam sobre os riscos da adesão. A nicotina é uma droga lícita e quanto mais precoce for o contato da substância no cérebro, mais adição vai ocorrer. Algumas pessoas geneticamente pré-dispostas não vão conseguir largar o vício e isso se torna ainda mais abusivo com o incremento do cigarro eletrônico”, avalia.

Atrativos

Um dos pontos de alerta é que os aromatizadores chamam a atenção das crianças e adolescentes e se tornam atrativos para o consumo, junto a ideia de que são menos maléficos que os cigarros tradicionais. “A nicotina que está inclusa nos dispositivos é tóxica para o aparelho respiratório, um aditivo que vai levar ao vício”, frisa Schmidt.

Ao considerar que na adolescência é comum a experimentação, nos relacionamentos entre os amigos, se um fuma, muitas vezes cria-se a ideia de que para fazer parte daquele grupo, vai ser preciso se engajar. “Algumas pessoas podem ser mais suscetíveis e outras menos, da mesma forma que alguns adolescentes poderão manifestar sintomas e outros não”, ressalta.

Como prevenir?

Em relação a como os pais e responsáveis podem ficar mais vigilantes e auxiliar nesse processo para prevenir o contato com os dispositivos, na opinião do pediatra e hebiatra, o ideal é mostrar com exemplos; relatados os danos à saúde a partir da adesão; e que haja dificuldade de o adolescente ter acesso, com a regulamentação pela lei. “A partir disso, as escolas, por meio de aulas como de ciências, por exemplo, podem reforçar o alerta, salientando que, do mesmo modo que o cigarro convencional pode causar câncer de pulmão, o cigarro eletrônico também possui um potencial que pode levar a algumas doenças graves”, enfatiza.

Ele diz, ainda, que há alguns casos de pacientes alérgicos e outros que desenvolvem uma bronquite e eventualmente precisam de internação e oxigenioterapia devido a inalação e ao aspecto tóxico da substância. “Por isso, há vários riscos do ponto de vista pulmonar e de coisas que ainda não conhecemos, pois é algo novo”, reflete.

Da mesma forma, o especialista menciona que há um tempo não era mostrado pessoas fumando em novelas, por exemplo. “O pré-verbal e subliminar para uma criança é fundamental. Se você disser para ela que não se deve fumar, mas o pai fuma, isso não adianta absolutamente nada. Do mesmo modo, mostrar uma pessoa fumando “demonstrando beleza e status”, isso gera uma mensagem de que isso é empoderamento. É muito preocupante”, observa o médico.

Fique atento!

Na visão do especialista, os aspectos relacionados à prevenção e cuidado da saúde das crianças e adolescentes é essencial. “A todos eles, fica a dica: tenham uma vida saudável, amigos, façam exercícios e estejam em grupos que não fumem, pois não há necessidade de fumar para ser feliz e muito menos de ter um cigarro para ter status. Outras gerações já adoeceram muito por conta disso”, afirma.

O que mostram os estudos

A Sociedade Brasileira de Pediatria também fez um alerta sobre a preocupação com o tema. Estudos demonstraram que os vapores produzidos pelos líquidos dos cigarros eletrônicos, especialmente com o acréscimo de aromatizantes, produzem o mesmo efeito prejudicial à estrutura pulmonar e vascular que o fumo do tabaco. Foram demonstradas características de toxicidade, estresse oxidativo, resposta inflamatória em células epiteliais brônquicas, ativação de fibroblastos, hiperresponsividade, entre outras.

As análises foram feitas pelos Departamentos Científicos de Pneumologia, Toxicologia e Otorrinolaringologia.

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