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Saúde

Tireoide: uma glândula poderosa

Endocrinologista, Gabriele De Geroni, alerta para a importância do bom funcionamento que, caso não ocorra, pode impactar diversas partes do corpo

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Endocrinologista, Gabriele De Geroni
Por Izabel Seehaber
Foto Izabel Seehaber

A tireoide, mesmo pequena em tamanho, desempenha um papel essencial no organismo e pode influenciar desde a formação fetal até o processo de envelhecimento humano. A glândula em forma de borboleta, está localizada na parte anterior do pescoço e os hormônios produzidos por ela (T3 e T4, triiodotironina e tiroxina, respectivamente) agem diretamente no metabolismo humano.

A médica endocrinologista de Erechim, Gabriele De Geroni, ressalta que a tireoide é fundamental para o desenvolvimento e para a manutenção da vida. “Não há vida sem tireoide e ela precisa estar equilibrada e ser acompanhada sempre”, esclarece.

Fatores relacionados ao desequilíbrio

Vários fatores podem levar a um desequilíbrio da glândula e a maioria das pessoas que apresentam essas alterações são do público feminino e tem mais de 40 anos de idade.

Apesar de ser mais frequente na vida adulta, crianças e adolescentes não estão imunes ao aparecimento de disfunções tireoidianas, como hipotireoidismo e hipertireoidismo.

Os hormônios tireoidianos têm um papel fundamental no desenvolvimento e crescimento infantil. Tanto a falta quanto o excesso desses hormônios podem trazer consequências para a saúde óssea da criança. A deficiência pode levar à diminuição do crescimento dos ossos, enquanto o excesso a um processo mais acelerado.

Há, também, o hipotireoidismo congênito, quando a deficiência de hormônio tireoidiano é detectada logo após o nascimento. O HC é a principal causa de deficiência mental passível de prevenção no mundo.

O diagnóstico é feito por meio do Teste do Pezinho, exame que faz parte do Programa de Triagem Neonatal e deve ser realizado nos primeiros dias de vida do recém-nascido (entre terceiro e quinto dia). Desse modo é essencial que haja um diagnóstico precoce para que seja feito o tratamento.

Hipotireoidismo

Conforme a especialista, hipertireoidismo é quando há uma deficiência de produção do hormônio da tireoide e a causa mais comum é a autoimune (Tireoidite de Hashimoto), em que há um histórico de mais pessoas na família com essas alterações. “É uma doença em que o organismo entende a tireoide como um corpo estranho e ataca a glândula e isso causa a deficiência de produção do hormônio. Com isso, ocorre uma lentificação dos processos e o organismo desacelera de uma forma geral”, explica Gabriele.

Entre os sintomas comuns está: pele seca, batimentos cardíacos mais desacelerados, inchaço, um ganho de peso não muito expressivo, somente em razão da retenção de líquido e não de gordura, sonolência excessiva, queda de cabelo e unhas mais fracas.

Hipertireoidismo

Do contrário, no hipertireoidismo, ocorre um excesso de produção do hormônio e isso pode ser em razão de um nódulo que produz esse acréscimo ou pelo aumento generalizado da glândula (Doença de Graves). Nessa situação o metabolismo fica mais acelerado, há perda rápida de peso, mesmo que o paciente tenha muita fome e também pode ocorrer insônia, sensação de palpitação, mal estar, diarreia, entre outros sintomas.

O tratamento pode ser a base de medicamentos e, dependendo do caso pode ser recomendada uma intervenção cirúrgica. “É essencial seguir um tratamento adequado, pois, caso contrário, a longo prazo, a alteração pode ser causa de osteoporose”, orienta a médica.

Gestação

Na fase de gestação há uma alta demanda do hormônio tireoidiano e ocorrem mudanças importantes no organismo da mulher e nos hormônios, que podem influenciar no funcionamento da glândula. “As metas de uma paciente que está tentando engravidar ou está gestante, são mais baixas, quer dizer, a tireoide precisa estar bem controlada para suprir as demandas da mãe e do bebê - que no primeiro trimestre de vida não tem tireoide e tudo que ele recebe vem da mãe”, comenda a especialista.

Se o hipotireoidismo ou hipertireoidismo não forem diagnosticados e tratados corretamente podem trazer consequências tanto para a saúde da mãe quanto para o bebê. Na mulher, pode aumentar os sangramentos, a pressão arterial e levar a abortos prematuros. Já no bebê, pode resultar em problemas mentais e déficit cognitivo.

Alerta

A especialista faz um alerta ao lembrar que um assunto muito em voga atualmente é a suplementação de Lugol de iodo. “É preciso muita atenção, pois a gotinha tem mais de 10 vezes a recomendação diária de iodo. Por isso é importante que não seja usado esse produto ou outros, sem recomendação médica, pois, sem necessidade, pode levar a várias complicações à saúde, como problemas cardiovasculares”, destaca.

Alimentos aliados

De acordo com a endocrinologista, alguns alimentos podem contribuir para o bom funcionamento da glândula, por conterem iodo e selênio (os dois principais nutrientes para a produção dos hormônios de tireoide). São eles: peixes, castanhas, cereais e alguns grãos.

Outro ponto interessante citado pela médica é que pelo menos uma vez por ano seja feito um check up geral para cuidado e prevenção da saúde.

 

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