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Saúde

Doação de Órgãos: terça-feira para ampliar o debate sobre o assunto

O médico oftalmologista e diretor do Instituto de Olhos Santa Luzia de Erechim, Fábio Vaccaro, explica a importância e o impacto do transplante de córneas no cotidiano dos pacientes

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Fábio Vaccaro realiza transplantes de córnea há mais de 25 anos em Erechim
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Este mês, em especial a terça-feira (27), é marcada por um movimento que visa ampliar o debate e a conscientização sobre a importância da doação de órgãos. O assunto, que diverge opiniões, merece cada vez mais oportunidades de reflexão, pois o transplante pode ser única esperança de vida ou a chance de um recomeço para muitas pessoas. Vale ressaltar que, para ser um doador, é fundamental conversar com a família e deixar claro que ela deve autorizar o procedimento.

Para esclarecer melhor o tema, o Bom Dia conversou com o médico oftalmologista e diretor do Instituto de Olhos Santa Luzia de Erechim, Fábio Vaccaro. Na oportunidade, ele ressaltou o impacto do transplante de córneas no cotidiano dos pacientes. “Todos os transplantes podem salvar a vida de muitas pessoas e melhorar a qualidade de vida de outras tantas. Quando o tema refere-se às córneas, vale salientar que elas podem permitir o reestabelecimento da visão à alguns pacientes. É uma satisfação muito grande contribuir nessa possibilidade de uma pessoa voltar a enxergar, mas, para algumas doenças, isso só irá acontecer, se houver uma doação, mesmo com toda tecnologia e conhecimento que o médico dispõe”, declarou.

O especialista, que realiza transplantes de córnea há mais de 25 anos em Erechim, explicou que no passado havia uma etiqueta no documento de identidade, em que a pessoa informava que era doadora de córneas. Pela lei atual, para ocorrer a doação de órgãos, é preciso ter a autorização de familiares. “Desse modo, campanhas como essa, do ‘Setembro Verde’, são essenciais para que as pessoas conversem em casa, debatam esse tema, para que, familiares e amigos tenham conhecimento sobre o anseio ou não de ser doador. Compreendemos que é um momento delicado e doloroso para os familiares, porém, é importante refletir sobre esse ato de generosidade, que é nobre e pode salvar muitas vidas”, afirmou.

Fábio acrescentou que, de modo geral, para que seja possível a doação, é preciso ser registrada a morte encefálica do paciente. Já no caso das córneas, a situação é diferenciada, sendo que o paciente pode estar sem os batimentos cardíacos e até 10 horas depois ainda é possível fazer a retirada.

Procedimentos

Quando acontece uma doação de córnea, é encaminhada para uma Central de Recepção, momento em que é feita uma análise e avaliação para verificar se está íntegra e preenche todos os critérios, método que possibilita mais segurança no procedimento. Qualquer pessoa entre dois e 87 anos de idade pode ser doador.

Ao mesmo tempo, acontece a disponibilização em uma lista pela Central Única de Transplantes do Rio Grande do Sul, independentemente de convênio ou plano de saúde. “Quando o paciente consulta conosco e chegamos a um diagnóstico de uma patologia que necessita de um transplante de córnea, ele terá cadastro na fila única e, quando somos informados sobre o recebimento de uma córnea, contatamos com o paciente que tem algumas horas para decidir se vai fazer”, comentou.

O diretor do Instituto de Olhos Santa Luzia esclareceu a cirurgia é tranquila, porém, tem riscos como qualquer outra, tais como a infecção. “No caso da córnea, o risco de rejeição é muito menor que todos os outros tecidos do corpo, e o índice de sucesso é de 97%. Após o procedimento, são necessários apenas cuidados gerais e uso de colírios”, pontuou.

Indicações

Conforme o especialista uma das principais doenças que podem levar à necessidade do transplante, é o ceratocone (doença que muda o formato da córnea e surge, geralmente, na segunda década de vida). Contudo, o transplante também pode ser feito em crianças e pessoas acima dos 50 anos, tudo depende da patologia.

Baixa de captações

Em razão da pandemia causada pelo Coronavírus, houve uma diminuição expressiva na captação de órgãos e, por consequência, nos transplantes (25% a menos no Estado). A lista de espera que era de cerca de dois meses, está em quase dois anos e tem mais de 800 pessoas cadastradas. “O que nos preocupa é que nesse momento, em que estamos numa fase praticamente pós-pandemia, estamos com números muito baixos de doações. É preciso falar sobre o assunto”, reiterou o oftalmologista.

Estrutura especial

Fábio Vaccaro realiza cirurgias na Fundação Hospitalar Santa Terezinha (pelo Sistema Único de Saúde) e no Instituto de Olhos Santa Luzia (sistema particular ou convênio). “A cirurgia é ambulatorial, com anestesia somente no olho e, após o procedimento (em torno de 30 a 40 minutos), é possível ir para a casa. Mesmo que a cirurgia não seja demorada, a recuperação leva quase um ano até o paciente ter a visão restabelecida. Ele também terá que usar um óculos ou uma lente de contato para chegar a uma visão ideal”, explica o médico, pontuando que a clínica dispõe de uma estrutura especial, com equipamentos modernos para o procedimento.

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