O programa Equilibre-se desta terça-feira (3) irá apresentar um bate-papo sobre uma doença conhecida como uma das principais causadoras de dores crônicas e infertilidade feminina: a endometriose. A convidada da semana é a médica ginecologista e obstetra, Tamires Mignoni. Confira a seguir os principais pontos abordados durante a gravação, a qual vai ao ar às 20h.
O que é a endometriose?
Em sua fala inicial, a especialista enaltece que acredita no poder da informação e que debater sobre a saúde da mulher, é algo de extrema importância. Na sequência, explica os fatores que podem estar atrelados à endometriose. “O útero é um órgão revestido por diversas camadas, sendo o endométrio a que está localizada mais internamente e que, conforme as oscilações hormonais durante o ciclo menstrual, prepara o ambiente intrauterino para uma gravidez. Quando a fecundação não ocorre, essa camada acaba descamando, correspondendo à nossa menstruação. Com isso, a endometriose é a presença desse tecido endometrial (que deveria estar somente dentro da cavidade uterina), em outros locais do nosso corpo. A doença pode atingir os ovários, as tubas uterinas, o intestino, a bexiga e até o diafragma”, comenta a médica ao acrescentar que os focos de endometriose acabam, na maioria dos casos, mais restritos à região pélvica, mas não é somente isso. “Há várias teorias que buscam explicar os motivos que isso ocorre. Até hoje, a mais aceita é que, ao mesmo tempo que ocorre a menstruação, há uma espécie de refluxo desse conteúdo, que passa pelas tubas uterinas, atingindo os outros órgãos”, acrescenta Tamires.
Desse modo, a endometriose é uma doença multifatorial, com várias causas, incluindo componentes genéticos, fatores pró-inflamatórios do organismo, aspectos imunológicos e, ainda, o estilo de vida.
Sintomas
Conforme a ginecologista, a sintomatologia e o quadro clínico da doença, como um todo, é algo que precisa ser conhecido. “Algumas portadoras da endometriose podem ser assintomáticas, mas na maioria das vezes, podem desenvolver um ou mais sintomas, tais como: dor, cólica menstrual mais intensa e muitas vezes, incapacitante; sintomas intestinais (constipação) e urinários (presença de sangue nas fezes e urina e urgência urinária); a mulher pode desenvolver, ainda, a dispareunia – dores nas relações sexuais, principalmente de profundidade e a dor pélvica crônica”, pontua.
Assim, é imprescindível que as mulheres conheçam o próprio corpo e saibam identificar quando alguns sintomas aparecem de modo habitual ou quando isso passa do ponto. “Além de acessar o serviço de saúde, uma dica interessante é conversar com as mulheres do convívio social, como a mãe, a irmã, a amiga, para auxiliar a identificar alguns sinais importantes”, orienta a especialista ao exaltar que o diagnóstico precoce é essencial, pois, desse modo é possível fazer acompanhamento e seguir um tratamento buscando evitar que a doença se agrave.
Sobre a infertilidade
Um dos aspectos de amplo debate quando o assunto é endometriose, refere-se à infertilidade. “Ao mesmo tempo que é um sintoma, trata-se de uma repercussão da doença. Alguns dados apontam que até metade dos casos de infertilidade feminina, podem ser causados pela endometriose. Contudo, é preciso salientar que, ao passo que as mulheres podem ter dificuldades para engravidar, dependendo do problema atrelado, há possibilidades de tratamento e não necessariamente ela precisará aderir à uma técnica de reprodução assistida para conquistar o sonho da maternidade”, ressalta Tamires.
Tratamento
Sobre as alternativas de obter mais qualidade de vida e bem-estar, a ginecologista menciona que cada mulher recebe uma indicação específica, dependendo da sintomatologia, da idade, se há repercussões como no caso da infertilidade, por exemplo, e se há o desejo reprodutivo ou não por parte da paciente, enfim, é uma atenção individualizada. Entre as opções está o tratamento clínico ou o cirúrgico. Na maioria dos casos inicia-se um acompanhamento clínico, que pode contar com diversos medicamentos e aliados interessantes, a exemplo da psicoterapia, fisioterapia pélvica, acupuntura e, sobretudo, cuidados que envolvem a dieta e a atividade física, hábitos que podem melhorar o quadro de sintomas. “É fundamental que a paciente compreenda a doença e engaje no tratamento com o profissional de saúde, afinal, as respostas costumam ser muito boas e é um cuidado permanente ao longo da vida. A doença não tem cura mas pode ser acompanhada”, destaca a médica que encerra sua fala frisando a todo público feminino, o quão importante é manter as consultas e exames de rotina, pois assim ocorre a prevenção, fundamental para a saúde e o bem-estar.