Novembro é marcado por um forte movimento de conscientização dos homens sobre cuidados da saúde. Ao mesmo tempo, o mês chama a atenção e alerta para outra questão: a prevenção e controle do diabetes.
Na opinião da endocrinologista e metabologista, Paula Jaskulski, é muito importante haver uma data específica, a exemplo do Dia Mundial do Diabetes celebrado em 14/11, para refletir e debater sobre o tema, pois, assim, é possível relembrar a sociedade sobre a importância de fazer o rastreio. “O diabetes é uma doença silenciosa, que muitas vezes não vai gerar sintomas e o diagnóstico será somente no exame de sangue. Por isso, o ideal é manter as consultas com o médico de confiança, verificar se é indicado fazer o rastreio, e aqueles que já têm a doença, é imprescindível manter o acompanhamento, conversar, fazer ajustes e discutir sobre mudanças de hábitos que possam melhorar o bem-estar”, explica.
Fatores envolvidos
Os dois principais tipos de diabetes são: o tipo 2, que é o mais comum, relacionado aos maus hábitos (a exemplo do sedentarismo, má alimentação e, ainda, sobrepeso e obesidade), além do aspecto genético. “Em torno de 80% dos casos poderá ter história familiar envolvida, principalmente de primeiro grau. Há também o tipo 1, que ocorre mais na infância e na adolescência, mas pode surgir na vida adulta e tem um mecanismo diferente (autoimune), quando nosso corpo ataca as células beta, que produzem insulina no pâncreas, como se reconhecessem elas como estranhas. Desse modo, os pacientes precisam fazer a reposição dessa insulina”, comenta Paula ao mencionar que, independentemente da situação, vale ressaltar que um estilo de vida adequado, mesmo com uma história de vida familiar positiva para a diabetes, pode evitar o surgimento da doença.
Aumento de diagnósticos
Recentemente foram divulgadas informações sobre a diabetes, tanto em âmbito mundial, como nacional, e os indicadores apontam que há uma prevalência elevada, sendo que na população adulta chega a 10,5% e isso não é diferente no Rio Grande do Sul e na região de Erechim. “Há um aumento importante nos últimos tempos. Se compararmos há 10 anos, é de aproximadamente 26%. Podemos relacionar a isso, a mudança de vida, com uma rotina muito mais agitada; diminuição de exercícios físicos - os quais podem contribuir significativamente na prevenção; e o fato de muitas pessoas cozinharem menos em casa e adquirirem comida pronta, lanches e outros itens ultraprocessados. Precisamos agir para alterar esse cenário e evitar novos aumentos”, reitera a especialista.
Diabete infantil
Na infância é mais comum o diabetes tipo 1, e um alerta para os pais e responsáveis, é sobre os sintomas, como: sede excessiva, aumento da frequência urinária, perda de peso mesmo com mais fome, e nos casos mais graves, pode haver dor abdominal, náuseas e vômito. Para toda situação é essencial uma avaliação com endocrinologista.
“Já em relação ao diabetes tipo 2, antigamente era muito raro em crianças e adolescentes, mas hoje, com aumento nos casos de obesidade infantil, isso se torna mais comum, principalmente após os 10 anos de idade”, alerta.
Desse modo, outra dica é estimular as crianças a não ficar muito tempo em frente às telas e incentivar a prática de exercícios, passeios de bicicleta, o uso mais frequente de escadas ao invés do elevador, caminhadas e, acima de tudo, dar o exemplo em casa aos filhos, como uma integração em prol de uma melhora na postura e na qualidade de vida.
Relação diabetes e covid-19
De acordo com a endocrinologista, a covid-19 gera um processo inflamatório e o que as pesquisas mostram até o momento é que, principalmente no quadro agudo da infecção, que por sua vez gera uma alteração nos hormônios, os índices da glicemia também se elevam, do mesmo modo que em pacientes com fatores de risco. “A grande questão é: será uma situação transitória ou um diabetes permanente? Isso não está totalmente estabelecido, não é possível afirmar, mas estudos já sinalizam que, até um ano depois, alguns pacientes mantiveram o quadro de diabetes. Os trabalhos prosseguem, principalmente em um grupo de pesquisadores da Austrália e de Londres”, acrescenta a médica.
Evoluções nos tratamentos
A Medicina, de modo geral, aprimora-se constantemente nas diversas áreas. Conforme Paula, felizmente vem sendo registrados avanços expressivos no campo do tratamento da diabetes nos últimos anos. “Há uma década eram poucas variedades de medicamentos e hoje há uma série de opções muito interessantes, seguras, com itens que ajudam a reduzir a progressão da doença renal, a proteger o paciente de eventos cardiovasculares, auxiliam no controle da glicose e da gordura no fígado, e, ainda, na redução de peso, fator que contribuir para evitar outras doenças”, salienta.
Para quem realiza o tratamento para o diabetes tipo 1, a realidade não é diferente. “Há tratamentos cada vez melhores, com insulinas de boa qualidade e também conseguimos evitar mais facilmente os episódios de hipoglicemia. Na mesma linha, existem as bombas de insulina, cada vez menores e que são capazes de infundir 24 horas a insulina, tornando-se uma forma mais prática para a maioria dos pacientes. É mais um avanço da tecnologia muito importante”, pontua ao frisar: “Isso tudo implica em mais qualidade de vida aos pacientes, que é o principal fator a ser considerado”.
Dicas da especialista!
* Em termos de exercício físico, sempre há um estímulo expressivo e o ideal é que seja combinada a parte aeróbica, com musculação e treino funcional;
* Reduzir o consumo de álcool, pois tem bastante calorias e pode aumentar o risco de hipoglicemia;
* Manter o sono adequado - pelo menos sete a oito horas de sono por noite -, pois quando dormimos regularizamos os hormônios;
* Cuidar a hidratação;
* Equilibrar a alimentação e manter o acompanhamento com o médico e um profissional de Nutrição. (Preferir o consumo da fruta do que o suco; Reduzir o carboidrato, as farinhas brancas e evitar doces).