Apesar de ainda não ser oficialmente considerada um transtorno mental, a dependência em aparelhos celulares já é conhecida como nomofobia, que vem de “no mobile phone phobia”. O problema é característico de pessoas que se sentem incapazes de viver sem, a cada minuto, consultar o celular para checar as redes sociais e as últimas notícias.
Segundo Lala Fonseca, psicóloga e especialista em burnout e ansiedade, a fobia é causada pela praticidade do acesso à internet, pela quantidade de recursos oferecidos e pela portabilidade, ou seja, algo que pode acompanhar o tempo todo. Nesse sentido, existe um vício na sensação de não estar perdendo nada, além da dopamina liberada ao receber curtidas, respostas e mensagens das pessoas que estão distantes.
Problema é mais comum entre jovens
Com a expansão das mídias digitais e a superexposição que ocorre entre os jovens, a nomofobia é predominante nesse público — especialmente adolescentes e jovens adultos, conhecidos como “nativos digitais”.
Como identificar a nomofobia?
Segundo Lala, um dos principais sinais em pacientes com quadro de nomofobia é a necessidade de estarem conectados 24 horas por dia. Ficar sem sinal pode indicar uma possível crise, em que a pessoa se sente angustiada por não estar ciente do que está acontecendo no mundo.
Quando fora de casa, o paciente está sempre com baterias, carregadores e aparelhos extra, para não correr o risco de se desconectar. Além disso, a nomofobia provoca a diminuição da produtividade, devido às distrações causadas por mensagens ou atualizações do universo digital.
Outros comportamentos também podem se manifestar, tais como:
Acordar no meio da noite para ver notificações;
Sentir um desconforto acentuado em não ver e-mail, mensagens instantâneas e rede social por 15 minutos ou mais;
Dormir com o celular embaixo do travesseiro;
Incapacidade de ir ao banheiro sem levar o telefone.
Quais os sintomas da nomofobia?
Além da total dependência dos aparelhos móveis, pacientes com nomofobia apresentam sintomas físicos e emocionais. Entre os sinais físicos, Lala destaca:
Suor nas extremidades;
Tontura;
Enjoos;
Dor no peito;
Já os sintomas emocionais incluem:
Medo;
Paralisação;
Angústia e ansiedade acentuadas;
Tristeza;
Isolamento;
Pensamentos catastróficos;
Solidão;
Diagnóstico da nomofobia
O diagnóstico da síndrome deve ser realizado por um psiquiatra, que analisará os critérios relacionados no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) para identificar as causas e sua relação com outras questões do paciente, como autoestima, timidez e fobia social — além de quadros como depressão e ansiedade.
Como é feito o tratamento
O tratamento de nomofobia é feito através da terapia comportamental, tanto por meio de questionamentos em relação ao uso do celular quanto trabalhando o motivo pelo qual é confortável interagir digitalmente.
Segundo Lala, muitas vezes é utilizada uma técnica de exposição à ausência do celular (método chamado de detox digital), além de uma dessensibilização sistemática para aprender a relaxar na ausência do celular.
Casos mais severos de nomofobia, em que o problema evolui para depressão e crises de ansiedade mais graves, o médico pode receitar o uso de medicamentos. A automedicação não é indicada.