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Saúde

A importância do cuidado com a saúde mental dos homens

Confira a entrevista a entrevista exclusiva com a psicóloga clínica e neuropsicóloga, Lisandra Garcia

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Lisandra Garcia - Psicóloga clínica e neuropsicóloga - CRP 07 / 22583. Atendimento de adolescentes,
Por Da redação
Foto Divulgação

A saúde mental é um importante fator que possibilita o ajuste necessário para lidar com as emoções positivas e negativas. Investir em estratégias que possibilitem o equilíbrio das funções mentais é essencial para um convívio social mais saudável, principalmente se tratando do público masculino, que muitas vezes encara o assunto como algo irrelevante, mesmo necessitando de ajuda.

Confira a entrevista exclusiva com a psicóloga clínica e neuropsicóloga, Lisandra Garcia, que orienta, explica e esclarece questões sobre o tema.

- Bom dia: Inicialmente, considerando especialmente o público masculino, gostaria que comentasse sobre a importância do cuidado da saúde mental.

Lisandra: A rotina do dia a dia, as obrigações da vida moderna, as responsabilidades assumidas, as incertezas da economia e do trabalho bem como as circunstâncias pessoais e familiares são fatores estressores na vida de qualquer ser humano.

No caso masculino tais agentes são potencializados pela crença – às vezes inconsciente – de que é dever absoluto do homem dar conta de tudo que a ele é exigido ou dele esperado sem que possa fraquejar ou fracassar. Essa combinação de fatores, no mais das vezes, deflagra um processo que coloca em risco a saúde mental.

Feitas tais considerações se observa que o cuidado com a saúde mental é um desafio de notória importância, pois é através da plenitude da saúde mental que é possível buscar o equilíbrio satisfatório nas relações pessoais, sociais, profissionais e, principalmente, consigo mesmo. Um “eu” não apaziguado ou equilibrado acaba por causar inadequações de comportamento que redundarão em prejuízos àquele que sofre do mal e a todos a sua volta.

Além disso, os fatores estressores não tratados de forma adequada provavelmente resultarão em ansiedade, depressão, mania, síndrome do pânico, transtorno de ansiedade generalizada (TAG), dentre tantas outras patologias que são afetas às áreas da psicologia e da psiquiatria.

Por fim julgo oportuno mencionar, em tom de crítica, que nossa cultura ocidental há muito tempo demonstra expressivo interesse pela saúde física, contudo, por séculos, a busca pela saúde mental foi relegada. Aceitar que o ser humano é a soma do físico e do mental é um passo importante rumo ao desenvolvimento da saúde plena.

- Bom Dia: Você acredita que os homens estão mais conscientes sobre essa atenção ao bem-estar emocional? Por que?

Lisandra: Responder sim ou não a esta pergunta seria algo simplista. Eu diria que se por um lado existem homens que estão na busca constante pelo desenvolvimento emocional pois entenderam que isso é a chave para uma vida mais saudável, plena e feliz, não se pode esquecer daquela parcela de homens – felizmente, em menor número – que reluta em aceitar que o aspecto emocional é relevante em suas vidas.

Aquela frase “homem não chora”, que regeu a conduta educacional de muitas famílias no passado e que ainda hoje se escuta por aí é algo que encerra essa discussão: grande parte dos meninos que ouviram isso no decorrer da infância e adolescência tiveram sufocados seus anseios e pretensões e talvez, hoje, ostentem certa dificuldade em bem lidar com suas emoções.

Assim, acredito que todos estamos na busca do bem-estar emocional, todavia, para chegar ao final do caminho é indispensável reconhecer a importância que ele tem em nossas vidas. Entender que zelar pela saúde mental trará melhoras na qualidade de vida e prevenirá doenças futuras é decisivo.

- Bom Dia: No período de tratamento de um câncer, por exemplo, quais as orientações que você daria aos homens, no enfrentamento dessa fase delicada?

Lisandra: Sabe-se que o enfrentamento do câncer não é nada fácil e ficar fragilizado é uma das características próprias da patologia. Em momentos como este o apoio das pessoas próximas se mostra indispensável. A empatia do familiar ou do amigo se torna necessária.

Questionar a pessoa acometida pela doença se ela quer falar sobre o assunto denota, antes de tudo, respeito por ela. Propor-se a ajudar ou fazer algo por ela são atitudes que demostram interesse, cuidado e humanismo.

Oferecer-se e se prestar a ouvir é importantíssimo: a escuta é uma excelente aliada.

Igualmente importante é ser sincero e, também, se calar quando não souber o que dizer.

Enfim, o fato de a pessoa em tratamento saber que pode contar com a outra é algo muito valioso e, no mais das vezes, detém importância significativa no processo de enfrentamento e cura.

- Bom Dia: Comente sobre os principais aspectos que devem ser observados pelos extremos (jovens e idosos) para uma melhor qualidade de vida

Lisandra: Nesse quesito o que trago não é nenhuma novidade: boa alimentação (evitando frituras, gorduras, bebidas alcoólicas, refrigerantes e doces de todo o gênero), não fumar, beber bastante água, praticar atividades físicas respeitando a idade e a complexão física de cada indivíduo, manutenção das relações sociais com amigos e/ou familiares, utilizar-se da tecnologia com moderação, desenvolver a leitura, enfim, praticar atividades que façam bem ao corpo e à mente.

Ainda no tocante a essa pergunta acho adequado contar uma história já muito antiga e que é de conhecimento geral. Certa vez uma menina, de 6 ou 7 anos, passeava com a mãe e viu sua vizinha, uma senhora por todos admirada, já idosa, de cabelos brancos, muito querida pela vizinhança e bastante ativa. A menina disse:

- “Quando eu for velhinha quero ser igual à dona Maria”.

A mãe, sabiamente, respondeu:

- “Se quer ser como ela, comece hoje”.

Assim é a vida. Colhemos o que plantamos. Comece hoje. Sempre é tempo de fazer diferente, de se aperfeiçoar e de colher os frutos.

- Bom Dia: Pontue algumas dicas para a rotina diária do público masculino: (hábitos essenciais para se manter com o emocional equilibrado).

Lisandra: Os itens mencionados na resposta anterior se aplicam tanto a homens e mulheres, independentemente da idade, e são fatores decisivos para a manutenção do emocional. Em relação aos homens eu recomendaria ainda enfrentarem e vencerem o preconceito existente em relação a determinados exames médicos e levarem a sério a realização dos exames de rotina próprios de sua idade.

Além disso, os homens devem estar atentos a sinais como irritabilidade, desânimo, apatia, tristeza, falta de prazer em atividades que anteriormente lhe eram atrativas e, caso observar algum deles, procurar um profissional da área da psicologia para que possam afastar - ou atestar - um diagnóstico de ansiedade, depressão, síndrome do pânico ou de alguma outra patologia na esfera emocional.

Por fim faço questão de repetir: o homem deve vencer o preconceito e também deve aceitar suas limitações e sofrimentos. Deve entender que homem chora, sim! Deve conversar sobre seus medos e suas angústias. Deve procurar auxílio. Deve – e merece – trilhar um caminho na busca pelo bem-estar físico e emocional.

 

 

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