Esses males, além de afetarem aos animais, são um risco também para os tutores
Cada vez mais os lares dos brasileiros são compostos por ao menos um animal de estimação. Pesquisas apontam que em 70% das casas há algum pet. Os cachorros ainda são maioria, somando 46,1%, seguidos pelos 22,1% de gatos.
Independentemente de serem adotados ou não, animais que vieram de ambientes com poucos cuidados, que não tiveram um tratamento de saúde adequado, podem apresentar problemas de pele e acabam transmitindo também para seus tutores.
Doença de pele por animais
É possível sim que os pets transmitam algumas doenças de pele para os seres humanos. Segundo a dermatologista Dra. Gabriela Busetto, é possível citar algumas. “Parasitas, como pulgas, carrapatos e larva migrans, o famoso bicho geográfico. As dermatomicoses, como a Esporotricose, e as piodermites, causadas por bactérias”.
Pulgas e sarnas
Segundo Busetto, a escabiose, mais conhecida por sarna, é causada por um ácaro que tem duas variantes. “Uma específica de animais e outra específica de humanos. Normalmente o ácaro que causa a doença nas pessoas não é o mesmo que causa a doença nos animais, pois no homem, a variante animal não consegue se reproduzir”.
Para cuidados com a pele nesses casos, são recomendados o uso de cremes antiparasitários ou, em alguns casos, medicamentos orais.
No caso das pulgas, que são parasitas dos animais, causam alergia localizada e coceira intensa ao picarem o ser humano. O importante é evitar coçar o local, pois dessa forma formam-se lesões, que são a porta de entrada para bactérias, frisa Busetto.
Micoses
São infecções fúngicas da pele, causadas por fungos do gênero Sporothrix, que são responsáveis pela esporotricose. Podem ser transmitidas de animais para humanos por arranhões ou mordidas.
O tratamento normalmente envolve uso de antifúngicos tópicos ou orais, raramente necessitando de intervenção cirúrgica.
Dermatite de contato
Algumas substâncias que podem ser encontradas na pele dos animais, como saliva, pelos ou secreções, podem causar alergias na pele humana.
O tratamento consiste basicamente em evitar a exposição ao alérgeno, fazer uso de corticosteroides tópicos e, em alguns casos, uso de medicamentos antialérgicos.
Ao notar qualquer problema na pele, o ideal é que se procure um dermatologista que saberá orientar a melhor forma de tratamento.
Cuidados com seu pet
Os animais de estimação são a alegria da casa, ainda mais para quem tem crianças. Por isso é importante tomar alguns cuidados, tanto para manter a saúde do seu amigo de quatro patas, quanto a sua e do seu filho.
O pet deve receber assistência adequada, cumprir a agenda de vacinação e vermifugação rigorosamente, como salienta o veterinário Bruno Kowalski. “Além disso é importante que o animal viva em um ambiente limpo e tenha sua higiene de rotina mantida como banho e tosa em dia”.
E sempre que mexer com seu pet, brincar com ele, lave bem as mãos, principalmente antes de levá-las ao rosto. Evite também beijar seu animal, principalmente na boca e dividir alimentos com ele.
Bebês e animais de estimação
Muitas pessoas têm medo de precisar deixar seus pets no caso da chegada de um bebê na família com medo de alergias e outras doenças devido a esta convivência.
Busetto lembra que “diversos estudos mostram que o convívio com animais no primeiro ano de vida, especialmente cachorros, é considerado fator de proteção e possibilita aos bebês ficarem menos suscetíveis às alergias e dermatites”.
Expor um recém-nascido aos micro-organismos não patogênicos presentes no meio ambiente, podem contribuir para a maturação do seu sistema imune. Isso reduz o risco de desenvolver doenças alérgicas na vida adulta.
Se você tem um pet e vai chegar um novo integrante na família, não se preocupe. Essa convivência é muito saudável para ambas as partes, desde que se tome todos os cuidados protegendo a saúde do animal, da criança e de toda a família.